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40 Anos. “25 de Abril Uma Aventura Para a Democracia”

1974 – 2014.

Passaram 40 anos desde que um golpe militar derrubou a mais antiga ditadura ocidental sem derramar uma gota de sangue.

Que país era esse que assistiu à revolução? Quais as condições em que se vivia? O que era isso da PIDE e da ditadura? Em que país sonhámos tornar-nos? O que sonhámos que iria ser o nosso futuro e o futuro dos nossos filhos?

O ano de 2014 assinalará os 40 anos do 25 de Abril de 1974 e a Zero em Comportamento irá relembrar a revolução dos cravos através de um programa de cinema que procura contribuir para uma reflexão sobre esse momento tão marcante da nossa história mais recente, mas também vai atrás no tempo e mostra alguma da realidade desse tempo de ditadura.

É um programa pensado para o público em geral, composto por 7 filmes, mas também para o público escolar, nomeadamente com a escolha de 3 curtas-metragens, para os jovens que estão agora no Ensino Básico, 2º Ciclo e Secundário.

“Cartas a uma ditadura” (2006) de Inês de Medeiros, confronto perturbador com o obscurantismo que dominou Portugal por mais de 50 anos, “Outro País ” (1999) de Sérgio Tréfaut, um documentário que reúne arquivos históricos excepcionais, “48” (2009) de Susana Sousa Dias, uma história de 48 anos da ditadura através de um conjunto de fotografias de cadastro e do testemunho das pessoas que foram fotografadas e “Linha Vermelha” (2011) de José Filipe Costa, sobre o filme de Thomas Harlan, “Torre Bela” que retrata o Verão Quente do Pós-25 de Abril, são alguns dos documentários mais expressivos sobre a reconquista da democracia no país.
A esses filmes, junta-se “Amanhã” (2004), ficção de de Solveig Nordlund sobre a PIDE, um clandestino e o 25 de Abril, “O Segredo” (2008) de Edgar Feldman sobre a fuga de Dias Lourenço do Forte de Peniche, durante a ditadura fascista em Portugal, e “25 de Abril, uma aventura para a democracia” (2000) de Edgar Pêra, um documentário aventureiro, com uma montagem a um ritmo alucinante.

CARTAS A UMA DITADURA
Inês de Medeiros, Documentário, Portugal/França/Bélgica, 2006, 60′
Uma centena de cartas, escritas por mulheres portuguesas, em 1958, foram encontradas por acaso num alfarrabista que não as leu por achar que eram cartas de amor. Respondem a uma circular enviada por um misterioso movimento de apoio à ditadura do qual não há referência nos livros de história. A circular a que respondiam nunca chegou a ser encontrada mas, pelas cartas que temos em mãos, percebe-se que era um convite para que as mulheres se mobilizassem em nome da paz, da ordem, e sobretudo em defesa do salvador da pátria: Salazar.
48
Susana de Sousa Dias, Documentário, Portugal, 2009, 93’
O que pode uma fotografia de um rosto revelar sobre um sistema político?
O que pode uma imagem tirada há mais de 35 anos dizer sobre a nossa actualidade? Partindo de um núcleo de fotografias de cadastro de prisioneiros políticos da ditadura portuguesa (1926-1974), 48 procura mostrar os mecanismos através dos quais um sistema autoritário se tentou auto-perpetuar.
LINHA VERMELHA
José Filipe Costa, Documentário, Portugal 2011, 80’
Em 1975, a equipa de Thomas Harlan filmou a ocupação da herdade da Torre Bela, no centro de Portugal. Três décadas e meia depois, “Linha Vermelha” revisita esse filme emblemático do período revolucionário português: de que maneira Harlan interveio nos acontecimentos que parecem desenrolar-se naturalmente frente à câmara? Qual foi o impacto do filme na vida dos ocupantes e na memória sobre esse período?
OUTRO PAÍS
Sérgio Tréfaut, Documentário, Portugal, 1999, 70’
Em 25 de Abril de 74 um golpe militar derrubou a mais antiga ditadura ocidental sem derramar uma gota de sangue. A descoberta da democracia e o desmantelar do último império colonial europeu projectaram Portugal para o primeiro plano da actualidade internacional. Durante a revolução dos cravos alguns dos maiores fotógrafos e documentaristas do mundo desembarcaram em Lisboa para recolher imagens: Glauber Rocha, Robert Kramer, Thomas Harlan, Pea Holmquist, Santiago Alvarez, Sebastião Salgado, Guy Le Querrec, Dominique Issermann, Jean Gaumy, etc. Quase todos sonhavam com um mundo diferente. Vinham de Maio de 68, do Vietname, do Chile e viviam a Revolução Portuguesa como um laboratório único de experiências. O que descobriram em Portugal? Quais eram os seus sonhos e expectativas? O que ficou do sonho da revolução? Um documentário que reúne arquivos históricos excepcionais.
Programa de Curtas Metragens
O SEGREDO

Edgar Feldman, Documentário, Portugal, 2008, 25’
Em “Pink Saris”, acompanhamos a história de Sampat Pal, uma complexa e singular activista política, líder do movimento Gulabi Gang, que trabalha pelos direitos das mulheres na região de Uttar Pradesh, no norte da Índia. Assistimos ao empenho individual de Sampat, referência para muitas mulheres maltratadas, na mediação de dramas familiares, testemunhada por dezenas de espectadores, defendendo pessoas em situações de vulnerabilidade e que desnudam as convenções da sociedade Indiana.

AMANHÃ

Solveig Nordlund, Ficção, Portugal, 2004, 15’
Nuno, um rapaz de nove anos, foge de casa na noite de 24 de Abril de 1974. Está farto das discussões entre a mãe e o padrasto e decide ir ter com o seu pai. Só que não sabe onde o pai mora. Para se esconder da polícia, esconde-se num grande edifício que está a ser abandonado à pressa. Partem carros e pessoas em grande velocidade, ninguém dá por Nuno. Só fica ele com um cão de guarda. A noite já vai tarde e Nuno e o cão adormecem abraçados. Acordam de manhã com gritos vindos da rua. Nuno pensa que é a sua mãe à sua procura e corre à janela ver o que se passa. A rua está cheia de gente, há tanques e soldados. É o 25 de Abril. E Nuno está convencido que foi a sua mãe que fez a revolução só para o encontrar. Só mais tarde saberá que foi na PIDE que se foi esconder naquela noite…

25 DE ABRIL – UMA AVENTURA PARA A DEMOCRACIA

Edgar Pêra, Documentário, Portugal, 2000, 17’
Documentário com base nos arquivos do 25 de Abril. É um filme sobre o fim do fascismo e o 25 de Abril, visto a partir das ruas e dos rostos das pessoas. Mais do que mostrar a revolução militar, revela a adesão popular ao movimento. Imagens e sons do passado (a ditadura e a libertação) misturam-se com imagens e sons do presente (manifestações de apoio à independência de Timor).