M/14

A Fábrica de Nada


Pedro Pinho, Ficção, Portugal, 2017, 178 min.

Uma noite um grupo de operários percebe que a administração está a roubar máquinas e matérias-primas da sua própria fábrica.
Ao decidirem organizar-se para proteger os equipamentos e impedir o deslocamento da produção, os trabalhadores são forçados – como forma de retaliação – a permanecer nos seus postos sem nada que fazer enquanto prosseguem as negociações para os despedimentos.
A pressão leva ao colapso geral dos trabalhadores, enquanto o mundo à sua volta parece ruir.

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O Clube dos Anjos


Angelo Defanti, Brasil, Portugal, 2019, ficcção, 102’
Sinopse

Ao longo dos anos, as reuniões mensais do Clube do Picadinho – uma confraria que, há décadas, reúne sete amigos de longa data – passaram de rituais de poder a melancólicas assembleias de fracassados e de promessas não-cumpridas. O fim seria o seu único destino digno até à chegada de um talentoso e misterioso cozinheiro que lhes serve magníficos banquetes. Os laços de amizade estão de volta, é a gula como celebração da vida… e da morte.

Nota do realizador

Não é todo dia que se quer admirar um delicioso quadro de Picasso, ouvir uma crocante sinfonia de Beethoven, ler um suculento Fernando Pessoa ou assistir um apimentado Godard. Mas todos os dias se quer comer. A fome é o único desejo recorrente. A visão acaba, a audição acaba, o sexo, o poder, a juventude acabam. Mas a fome não, a fome continua.Diferente de todas as outras artes, a gastronomia reserva um desafio filosófico único: a plena apreciação de um objeto exige, invariavelmente, a destruição do objeto admirado. É possível admirar a beleza de um prato, observar a composição de suas cores, é possível se inebriar com o aroma dos ingredientes, mas uma comida apenas é contemplada por completo quando exterminada. E com a vida? Como a vida seria apreciada por completo?
Será que também pelo seu fim? Imagine saber com antecedência o dia e a hora de sua morte. O que se alteraria em sua dinâmica e em sua contemplação? Os significados, as relações, as intensidades, as prioridades. O que seria diferente?

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Cartaz

Ficha Técnica

Brasil, Portugal, 2019, ficcção, 102’

com OTÁVIO MULLER, MATHEUS NACHTERGAELE, PAULO MIKLOS, MARCO RICCA, AUGUSTO MADEIRA, ANDRÉ ABUJAMRA, CÉSAR MELLO, ÂNGELO ANTÔNIO, SAMUEL DE ASSIS, ANTÓNIO CAPELO

realização e argumento ANGELO DEFANTI
direção de fotografia RUI POÇAS ABC, AIP
montagem LIVIA ARBEX, EDT.
direção de arte FERNANDA CARLUCCI
figurinos FLAVIA LHACER
maquilhagem AMANDA MIRAGE
som direto JULIANO ZOPPI
edição de som TIAGO RAPOSINHO
misturas PEDRO GÓIS
produção de elenco ALICE WOLFENSON
direção de produção CRISTINA ALVES
música original ANDRÉ ABUJAMRA
produção executiva MARIA IONESCU BÁRBARA DEFANTI
coproduzido por WARNER BROS. PICTURES
coprodução PANDORA DA CUNHA TELLES PABLO IRAOLA
produzido por SARA SILVEIRA, BÁRBARA DEFANTI, ANGELO DEFANTI

baseado na obra de Luis Fernando Verissimo

ANGELO DEFANTI

Formado em Cinema, tem trabalhado como realizador, argumentista, produtor e curador.
Do seu trabalho, destaca-se a longa-metragem Vento Sudoeste, uma adaptação do romance de Luiz Alfredo Garcia-Roza, premiada no Prodecine e no RioFilme em 2009. Em 2015, lançou o documentário Meia Hora e as Manchetes que Viram Manchete que teve a sua estreia na competição da Première Brasil do Festival do Rio. No ano seguinte, estreou dez episódios da série HQ – Edição Especial
na HBO, com produção da RT Features.
Como argumentista, desenvolveu os argumentos de Cordilheira, baseado no romance de Daniel Galera; Notícias do Planalto, inspirado na reportagem de Mario Sergio Conti; e A Pátria de Cadeiras com Antonio Prata e Felipe Sant’Angelo. É, também, o criador da série de ficção Borges, adaptada do livro de Luís Fernando Verissimo e produzida pela Glaz Entretenimento.
Foi o produtor executivo de Alemão, de José Eduardo Belmonte, e de Em Busca de Um Lugar Comum, de Felippe Schultz Mussel. Realizou seis curtas-metragens, todas exibidas e premiadas no Brasil e no no circuito internacional. Entre elas, contam-se Maridos, Amantes e Pisantes (Melhor Realização no Festival de Brasília em 2008), Feijoada Completa (Melhor Filme no Festival de Toulouse em 2012) e Um Dia (Grande Prémio do Festival de Curtas de Paris em 2015). Atualmente, encontra-se a finalizar Verissimo, um documentário sobre o escritor gaúcho no qual O Clube dos Anjos se baseia.

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Autor de mais de 60 livros, com obras traduzidas em 11 países, já vendeu mais de 5 milhões de exemplares, continuando a deliciar o mundo com a sua visão. Das suas obras, destacam-se Gula – O Clube dos Anjos, Borges e os Orangotangos Eternos e Comédia da Vida Privada.
Nascido em Porto Alegre, Veríssimo é um dos autores mais populares e prestigiados no Brasil. Reconhecido pelas suas crónicas e textos humorísticos publicados diariamente em jornais brasileiros, é também cartoonista, tradutor, guionista, dramaturgo, e músico, tendo chegado a editar álbuns de jazz.
Sobejamente premiado e reconhecido por intelectuais brasileiros que o elegeram como Homem de ideias do ano, em 1995, Veríssimo viu a sua obra O Clube dos Anjos ser internacionalizada em 2003 quando foi escolhida pela New York Public Library como um dos melhores 25 livros. No ano seguinte, recebeu o Prix Deux Océans no Festival de Culturas Latinas de Biarritz, em França.

Sweet Thing


Drama, Eua, 2020, 91 Minutos, Preto E Branco/Cor
Sinopse

Em New Bedford, Massachusetts, uma família disfuncional leva uma olvidável vida, igual a tantas outras. Num Verão e num acto de libertação, as crianças Billie e Nico, partem numa aventura pelo fantástico e poético mundo da infância, invisíveis aos adultos em seu redor.

Filmado num preto e branco como já não se usa, o filme ganhou o Prémio de Melhor Filme na Secção Generation da Berlinale de 2020.

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Cartaz
Dossier de Imprensa

Imprensa

SIC

PÚBLICO ÍPSILON
“Sweet Thing, até pelo preto e branco da sua fotografia, muito anos 80/90 (escuro e cheio de grão, sem nada daquele chapadão de luz e contraste que “de rigueur” no preto e branco da actualidade), parece realmente vir de um tempo lá atrás, privilegiar a sensibilidade na descrição das situações em detrimento do grande discurso sociológico-político (e Sweet Thing não exclui nenhuma das “questões” da actualidade, nem mesmo o racismo e a violência policial: Rockwell é branco, mas os seus filhos protagonistas têm mãe negra)”

OBSERVADOR
“Alexandre Rockwell fez “Sweet Thing-Infância à Deriva” comungando do mais genuíno espírito “indie”: o filho, a a filha e a mulher interpretam três dos papéis principais, a equipa de filmagem foi composta quase só por alunos seus, a rodagem durou sete semanas, o orçamento foi reduzido ao estritamente essencial e a fotografia é a preto e branco, com lampejos de cor”;

DIÁRIO DE NOTÍCIAS
“Há em todos eles, sobretudo a talentosa Lana Rockwell, uma relação cândida com a câmara que, nos melhores momentos, empresta a “Sweet Thing” a respiração própria de uma ficção gerada em ambiente de “reportagem”.

MAGAZINE HD
“Na verdade, esta nova proposta de Alexandre Rockwell é a prova de que o cineasta está interessado em desenvolver um cinema inquietante, energético e sobretudo mais humilde possível”;
“Não há nenhuma preocupação do realizador em tornar a sua história excêntrica. Aquilo que vemos é um retrato gentil de um ambiente sórdido e da maneira como as três crianças o tentam superar. “Sweet Thing – Infância à Deriva” fala-nos da insegurança, da imaginação e da liberdade das crianças, tudo de uma maneira poética e com a nostalgia da Nouvelle Vague e do cinema de François Truffaut”;

SAPO MAG
“Uma fábula otimista sobre crianças errantes com futuro incerto e sonhos traídos”;
“Este não é certamente um filme doce, mesmo que as suas personagens centrais encarem a sua tragédia pessoal com um otimismo inabalável, como se um mero sonho de criança, forte e rijo para o que der e vier, se tratasse”;
“A graciosidade deste filme de Alexandre Rockwell (…) encontra-se no seu ar “desorganizado”, na entropia fílmica que nos faz aproximar “fisicamente” destas crianças de futuro incerto. A violência funde-se com as suas carnalidades, são vitais para o seu “funcionamento”, e só a música acalma a dor que se banalizou, com Billie Holiday personificada nesse antídoto, colorido em contraste do preto-e-branco assumido pelo filme”;

CINEMAX – ANTENA 1

THE NEW BEVERLY CINEMA
O novo filme de Alexandre Rockwell, Sweet Thing, é um dos mais poderosos novos filmes que vi em anos. Todo o filme tem alma, mas o facto de Rockwell não ter ido pelo caminho mais fácil, filmando em digital, mas, pelo contrário (como um verdadeiro realizador), ter escolhido filmar em película a preto e branco de 16mm, dá-lhe uma essência divina.
Mas é a interpretação da sua jovem protagonista Lana Rockwell que nos assombra quando o filme termina. A forma como carrega a sua dignidade aos ombros enquanto se movimenta precariamente através da inquietação extenuante que é a sua vida, é como ela transporta o filme e o espectador através do terreno de Rockwell.
Quentin Tarantino

VARIETY
Alexandre Rockwell consegue performances vibrantes dos seus próprios filhos neste drama lo-fi e a preto e branco sobre o amadurecimento na pobreza e na esperança. A negritude não é um tema em primeiro plano, mas é fundamental para esta história de marginalização, e referida obliquamente, muitas vezes através de signos como o cabelo. Varrido pelo vento e de juba selvagem, Sweet Thing apresenta belas interpretações e um charme nostálgico.

FILMFESTIVALS.COM
Estreado em Berlim, moldado como Sundance. As primeiras sequências de Sweet Thing, parecem retiradas do The Kid, de Chaplin. Variando entre transições de íris e alternando entre planos gerais e grandes planos, Alexander Rockwell oferece-nos uma nostalgia refrescante e íntima, além do que veríamos no habitual indie flick a preto e branco. As letras de Van Morrison e Billie Holiday criam magia neste calmo drama com uma confiança otimística nas crianças.
É uma surpresa encontrar um diretor branco interessado na consciência de classe, que compreende o que é faltar à escola, que entende o racismo policial.
Lana Rockwell carrega o filme excecionalmente bem com apenas 16 anos e é tão bonita quanto um anjo adolescente, a sua presença reconfortante, e as breves experiências de cores fazem os seus olhos cor de mel e os caracóis louros destacarem-se ainda mais.
Zep Armentano

AWARDS CIRCUIT
A cinematografia a preto e branco, quando habilmente usada nos tempos modernos, é um bónus adicional a um filme de qualidade. O visual monocromático tem a capacidade de dar poesia e peso à história. Sweet Thing tem esse elemento poético em abundância. Uma história de cinema independente relativamente tradicional é elevada por um olhar que sugere uma verdadeira atemporalidade.
Sweet Thing compartilha o seu ADN com diversos trabalhos, como Beasts of the Southern Wild e The Florida Project, mas filtrado pela lente dos primeiros Jim Jarmusch.
O argumentista e realizador Alexandre Rockwell escolheu os seus filhos para os papéis principais de um tipo diferente de conto adolescente. Num lugar entre o conto de fadas e a vida real, descrevê-lo como um poema visual é muito adequado. Pode não ser para todos, mas o que Rockwell está a apresentar é sempre interessante e nunca menos que belo.
A cinematografia de Lasse Ulvedal Tolbøll é realmente para se ver. Ainda mais do que as interpretações centrais de Lana Rockwell e Nico Rockwell, os visuais de Tolbøll são a estrela. Os pequenos Rockwell são atraentes e reais, tudo é elevado pela aparência do filme. O visual a preto e branco da obra, intercalada com algumas explosões de cor, é o coração e a alma do que está a ser retratado. Preocupamo-nos com as crianças, mas as suas vidas tranquilas de desespero ganham um sentido de poesia pela forma como tudo é capturado.
Sweet Thing nunca parece pretensioso ou egocêntrico, apesar de Rockwell fazer o filme principalmente com a sua família. Parece natural, o que é essencial para o seu sucesso. Mesmo quando há momentos em que a narrativa é interrompida, a estética de Rockwell, especialmente nos momentos de cor, ajuda-o a manter-se firme. Sweet Thing recompensa pela paciência. Apesar do ritmo lento, o curto tempo de duração equilibra o filme, com um resultado final realmente emocionante. Com um visual monocromático e performances naturalistas, é o tipo de filme independente que se relacionará com uma comunidade pequena, mas vocal.
Joey Magidson

A BELEZA AMARGA DE SWEET THING
…conforme o filme se desenrola, o cinzento de Sweet Thing torna-se cada vez mais apropriado, justapondo-se bem com a sua narrativa, tom e subtexto de nostalgia.
A realização de Rockwell foi bem executada. O diálogo parece natural e a forma íntima como o filme foi filmado envolve-o numa espécie de “filme caseiro” do mundo infantil.
Sweet Thing mostra-nos que a segurança e a proteção podem ser o preto e branco monótono que consideramos natural na nossa busca pela alegria colorida da liberdade.
Sweet Thing transmite um paradoxo sobre a nostalgia – quando a chuva da luta da vida cai sobre nós, os sentimentos calorosos da grama mais verde podem dar um alívio temporário, mas também podem manter-nos presos na lama.
Embora por vezes trágico, o filme é uma aventura agridoce e um drama familiar genuinamente íntimo.
Joshua Adams

Sweet Thing é o conto lúcido e cativante do autor indie Alexandre Rockwell sobre a alegria da infância que persiste entre os traumas. Filmado num luminoso preto e branco, Rockwell dirige a sua própria família neste drama onírico sobre o amadurecimento.

Alexandre Rockwell dirige os seus filhos em Sweet Thing, um drama familiar íntimo e doloroso que aborda as maneiras em que classe, raça e gênero simultaneamente borbulham e se infiltram na vida privada. O filme de Rockwell sobre circunstâncias dolorosas é acessível e potente na sua representação da infância e da memória. Ele aproveita a experiência de emoções complexas – medo misturado com esperança, amor emaranhado com desgosto e infância prematuramente destruída – de maneiras que exemplificam o potencial único do cinema.
https://www.theupcoming.co.uk/2020/04/22/tribeca-film-festival-2020-sweet-thing-review/

Torna Sweet Thing numa peça sólida de cinema independente.
https://weallwantsomeone.org/2020/05/07/tribeca-film-festival-2020-review-sweet-thing/

O trabalho de câmara em preto e branco cativa com lirismo visual e fluxo ágil. Estas crianças estão sempre em movimento, e os melhores momentos do filme também são os mais elementares: a beleza física e a graça emocional das suas estrelas, movimentando-se por ruas sujas e idílios à beira de lagos, crimes e delinquências, tristezas e gritos de alma, com a cinematografia nostálgica da nouvelle vague.
https://filmmakermagazine.com/109617-tribeca-critics-notebook-socks-on-fire-sweet-thing-kokoloko-and-unemployable/#.Xxayux3grEY

Excelente Will Patton. Planos maravilhosos de crianças andando pelas ruas com o sol a bater sobre a lente e as noites na praia com fogos de artifício a iluminar o céu noturno. Rockwell tem uma visão, formalmente, que nunca parece deslocada. Nico e Billie são ótimos. Sentem-se as suas habilidades naturais como atores e maturidade, mas também na confiança na direção de Rockwell, porque parece surgir sem esforço.
https://museemagazine.com/culture/2020/5/7/film-review-sweet-thing?fbclid=IwAR3VnliZuFh0ry1ZaRgdnJOQLhgyOx2HkcSbhHIPeDqYwQpXXHAC0h3swJg

Sweet Thing compartilha o seu ADN com diversos trabalhos, como Beasts of the Southern Wild e The Florida Project, mas filtrado pela lente dos primeiros Jim Jarmusch.
https://www.awardscircuit.com/movies/sweet-thing/

Ficha Técnica

DRAMA, EUA, 2020, 91 MINUTOS, PRETO E BRANCO/COR, 1.66:1, 5.1

escrito e realizado por
ALEXANDRE ROCKWELL

produzido por
LOUIS ANANIA,
HALEY ANDERSON,
KENAN BAYSAL

cinematografia
LASSE TOLBØLL

edição
ALAN WU

mistura e edição de som
ALDOLPHO ROLLO

produtores executivos
JENNIFER BEALS,
WILL PATTON,
SAM ROCKWELL,
DAMIEN NEWMAN,
HEDY GROTH PUTEGNAT,
ELAINE WALSH

supervisão de música
ALDOLPHO ROLLO

banda sonora
VAN MORRISON,
BILLIE HOLIDAY,
BRIAN ENO,
ARVO PÄRT,
AGNES OBEL

marketing
RUMEYSA YORUKLU

 

Alexandre Rockwell

Aclamado e habilidoso na sua arte, o realizador Alexandre Rockwell é mais conhecido pelas obras In the Soup e 13 Moons. A sua capacidade de trazer ao ecrã personagens multifacetados que são, simultaneamente, complexos e falíveis, bem como o seu domínio de técnicas clássicas e de uma imensa criatividade na hora de contar histórias fazem dele uma das mais respeitadas figuras do cinema independente.

É justo referir que Alexandre tem o cinema no sangue. O seu avô, o animador russo Alexandre Alexeïeff, e a sua avó, a artista americana Claire Parker, conheceram-se e casaram em França. Passaram a vida a fazer filmes animados juntos e são mesmo considerados os fundadores da animação em tela pinscreen.

Rockwell foi a Paris explorar a arte do cinema com o avô durante a adolescência. Frequentou posteriormente a Cinemateca Francesa, onde estudou formalmente o ofício, e, na década de 1980, conseguiu estabelecer-se no mundo do cinema independente. Na época, já tinha várias curtas-metragens no currículo e teve seu trabalho exibido no Instituto de Arte Contemporânea de Boston e na Association of Independent Video and Film de Nova Iorque.
Isto conseguiu-lhe o seu primeiro crédito enquanto realizador, com o filme Lenz, que foi exibido com grande aclamação no Festival de Cinema de Berlim em 1982. Alexandre regressou a Berlim com o seu filme seguinte, feito para a ZDF, intitulado Hero, que veio a ganhar o Prémio do Júri no USA Film Festival, em Park City, Utah. A reputação de Rockwell continuou a crescer ao longo da década seguinte, até ao êxito In the Soup, com Steve Buscemi, Seymour Cassel e Jennifer Beals. O filme venceu o Grande Prémio do Júri no Festival de Sundance em 1992 e foi recebido com igual entusiasmo pelos colegas de profissão e pelo público em geral.

Desde então, Rockwell tem continuado a realizar filmes bem recebidos pela crítica, como Four Rooms – 4 Quartos (que co-realizou com Questin Tarantino, Alison Anders e Robert Rodriguez), Somebody to Love, com Rosie Perez e Harvey Keitel, e a comédia de sucesso 13 Moons, com Steve Buscemi, Peter Dinklage e outros amigos de longa data seus, como Sam Rockwell e Jennifer Beals.
Em 2011, dirigiu Peter Dinklage e Tim Roth no filme de culto Pete Smalls is Dead. Em 2016, realizou o também aclamado pela crítica e pelos festivais Little Feet, onde figuram os seus filhos Lana and Nico, que, junto com um jovem vizinho, atravessam a cidade de Los Angeles a pé para irem libertar o seu peixinho dourado no mar. O filme venceu o prestigiado Piazolla no Festival de Cinema Mar Del Plata e veio a receber grande louvor um pouco por todo o mundo, incluindo nos Festivais de Cinema de Toronto e Roma, e alcançando uma semana de aberta com críticas estrondosas em Nova Iorque e Los Angeles mais tarde nesse mesmo ano.

Em 2017, Rockwell foi nomeado diretor do departamento de Realização no prestigiado Programa Tisch School Arts Grad Film Program da Universidade de Nova Iorque. Lá, acompanhou e guiou algumas das mais promissoras vozes do cinema independente, transmitindo a sua paixão pela realização a uma nova geração de amantes do cinema de autor. Rockwell segue agora no sucesso de Little Feet apresentando ao mundo Sweet Thing, que volta a reunir os seus filhos e desta vez também a sua mulher, Karyn Parsons, mais conhecida pelo papel na série The Fresh Prince of Bel Air – O Príncipe de Bel-Air. Juntamente com o veterano Will Patton, que desempenha o papel de pai das crianças, apresentaram o filme na secção Generation do 70.º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2020.

Utoya, 22 de Julho


Erik Poppe, Ficção, Noruega, 2018, Cores, 72 min.

A 22 de Julho de 2011, mais de 500 jovens participavam num campo de férias político, nos arredores de Oslo, tendo sido atacados por um extremista de extrema-direita armado. Pouco antes de se dirigir à ilha de Utøya, o mesmo homem fizera explodir um edifício governamental em Oslo. Neste primeiro filme de ficção sobre o ataque, conhecemos Kaja, de 18 anos, e os seus amigos. O filme começa quando os jovens, chocados com os acontecimentos em Oslo, estão a tranquilizar os familiares, informando que estão muito longe do local. De repente, o som de tiros destrói o ambiente de segurança. O filme acompanha Kaja, que tenta sobreviver, minuto a minuto.

“É difícil descrever por palavras a vivência daquele horror. A minha esperança é que o filme nos permita compreendê-la para demonstrar ainda mais compaixão por aqueles que – por destino e coincidência – foram apanhados no caos quando o Mal se manifestou.” – Erik Poppe

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