Aalto mostra, pela primeira vez, a história de amor entre Alvar e Aino, a sua esposa, também arquitecta.
Com uma deslumbrante cinematografia, viajamos na vida e obra de um dos maiores arquitectos da era moderna, ficando a conhecer o seu processo criativo e muitos dos seus icónicos edifícios espalhados por todo o mundo.
Visitamos vários prédios na Finlândia, incluindo a sua própria casa e atelier, uma biblioteca na Rússia, uma residência universitária no MIT, a casa particular de um colecionador de arte nos arredores de Paris, o pavilhão da Finlândia para uma das Bienais de Veneza, e muitos outros lugares únicos.
Baseado no livro “Timor na Segunda Guerra Mundial – Diário do Tenente Pires” do historiador António Monteiro Cardoso, “Abandonados” retrata uma história esquecida de coragem e de sacrifício sobre-humano durante a invasão japonesa em Timor-Leste,
em 1942.
Ao contrário da propaganda veiculada pelo regime, Portugal esteve envolvido na II Guerra Mundial, na qual se perderam milhares de vidas de portugueses e timorenses. “Abandonados” fala sobre estas vidas, sobre a inédita aliança criada entre portugueses, timorenses e australianos e sobre a luta persistente de um militar então administrador de Baucau.
Fazendo frente a um inimigo implacável que não hesitou em cometer as maiores atrocidades contra as populações locais e contra todos os que se lhe opuseram, o Tenente Manuel Pires tentou retirar o maior número possível de companheiros do território e lutou contra todos os obstáculos e dificuldades, criados inclusivamente pelo próprio governo de Salazar.
“Abandonados” é um filme que mostra os caminhos tortuosos da política e a sobreposição dos interesses dos estados aos interesses individuais, com toda a carga de injustiça e de desumanidade que isso tantas vezes acarreta.
Nota de Intenções
“ABANDONADOS recorda-nos a invasão do Japão a Timor durante a II Guerra Mundial. Este filme tem um enorme significado para Portugal e para Timor- Leste. Mas não só, tem também um grande significado para a Austrália pois algumas centenas de corajosos militares australianos fizeram uma luta de guerrilhas durante cerca de um ano, com assinalável sucesso, contra o invasor japonês.
É uma história de desfecho trágico em que um punhado de portugueses e vários timorenses, resistiram heroicamente nas montanhas de Timor à máquina de guerra japonesa, entre o início de 1942 e finais de 1944. Entre os portugueses abandonados à sua sorte pelo governo de Salazar destaca-se o Tenente Pires e também um pequeno grupo de resistentes, alguns deles deportados por razões políticas para Timor pelo Governo Português, que combateram o exército invasor numa luta desigual, que teve consequências trágicas para a população timorense, que sofreu cerca de 50.000 baixas.
Contar estes acontecimentos é falar de uma história intencionalmente esquecida, de uma tragédia ocultada pelo governo de Salazar e do abandono de que foram vitimas os portugueses e os timorenses. Recordar esse período da nossa história (e de Timor Leste) é dar a conhecer, sobretudo aos jovens, a coragem de alguns poucos contra o poder brutal do agressor, que atuava com o maior desprezo e sem complacência pelos mais elementares direitos das populações.
ABANDONADOS é um filme baseado em factos reais, perdidos no tempo, que evoca a memória daquele punhado de homens que se sacrificaram até ao limite, dos quais o tenente Pires é o exemplo maior, que nunca abandonou aqueles que nele confiaram. Um filme que nos faz refletir sobre a falta de proteção dos civis vítimas dos conflitos armados e sobre o desrespeito total pelos direitos humanos, o que dá a este filme um carácter universal”. Francisco Manso
Prémios
Festival Internacional de Cinema Independente de Montreal, Melhor Filme de Direitos Humanos
Berlin Kiez Film Festival, Melhor Filme de Direitos Humanos
Mannheim Arts and Film Festival, Melhor Filme de Direitos Humanos
Tokyo Cinema Awards, Melhor Filme de Direitos Humanos
Vegas Independent Film Awards, Melhor Filme de Direitos Humanos
Festival Internacional de Cinema de Florença, Melhor Filme de Direitos Humanos
Festival Internacional de Cinema de Vancouver, Melhor Filme de Direitos Humanos
Francisco Manuel Manso Gonçalves de Faria nasceu em Lisboa a 28 de Novembro de 1949. Frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa. Tem o Curso de Cinema e Audiovisuais do AR.CO
e o Curso de Áudio e de Assistentes de Realização da RTP.
É membro da Academia Portuguesa de Cinema. Para além de “Abandonados”, realizou 8 filmes de longa-metragem, tendo produzido 2 deles, 5 séries e filmes para televisão e mais de 120 documentários. Entre eles, destaca-se as produções “O Nosso Cônsul em Havana” (2019),
“O Cônsul de Bordéus” (2010) e “O Testamento do Senhor Napumoceno” (1997).
Ficha Técnica
Elenco: Marco Delgado. António Pedro Cerdeira. Elmano Sancho. Virgílio Castelo. Vítor Norte. Joaquim Nicolau. Luís Esparteiro. Jorge Pinto. Francisco Froes. Soraia Tavares. Paulo Calatré. André Albuquerque. David Personne. Flávio Hamilton. Sabri Lucas. Marques D’arede. Rodrigo Santos. Júlio Martin. Pedro Pernas. Cláudio Castro
Com a participação especial: José de Abreu, Chico Diaz
Guião: António Monteiro Cardoso com a colaboração de Francisco Manso
Produtor: Francisco Manso
Produtora Executiva: Cristina Mascarenhas
Diretor de Produção: Nuno Marvão
Diretor de Fotografia: José António Loureiro
Diretor de Som: Vasco Pedroso
Diretora de Arte: Alícia Camacho
Figurinista: Cristina Homem Gouveia
Coordenador de Pós-Produção: Miguel Cardoso Faria
Montagem: José Diogo Ferreira
Colorista: Andreia Bertini
Música: Original Luís Cília
Pós-Produção de Som: Martim Crawford
Efeitos Visuais: Pushvfx
Realizador: Francisco Manso
com a colaboração de Exército Portuquês – Fundação INATEL – Grupo Sousa – Sociedade de Desenvolvimento de Porto Santo
Cláudia Varejão, Portugal, documentário, 2017, 112 min.
Um mergulho, a luz do sol do meio-dia atravessa a água a pique. O ar que está nos pulmões terá que chegar até que se consiga arrancar o haliote às rochas do fundo do Oceano Pacifico e finalmente subir para respirar outra vez. Sem o auxílio de botija de ar ou outra ferramenta que potencie a capacidade de permanecer debaixo de água, todo o corpo é convocado a atingir o seu limite. Estes mergulhos são dados no Japão há mais de 2000 anos pelas Ama-San, literalmente, mulheres do mar que na cultura japonesa ocupam um lugar especial, sendo reverenciadas e ao mesmo tempo, incompreendidas.
As Ama-San conquistaram o estatuto de coletoras e cuidadoras, questionando não só o papel da mulher na sociedade oriental como a própria natureza feminina.
Escrito na primeira pessoa, “Aparição” transporta teorias filosóficas relacionadas com o existencialismo. A partir deste momento, Vergílio Ferreira constrói uma história que dificilmente pode ser esquecida e confirma o sucesso internacional de um livro que é considerado um dos dez romances portugueses mais importantes.
Do ponto de vista literário, o romance posiciona-se num momento muito especial da vida de Vergílio Ferreira. Ele tinha escrito as suas primeiras obras envoltas no neorrealismo e neste livro abraça o cariz mais filosófico e profundamente humanista do existencialismo. Esse momento de viragem é determinante para a carreira futura do escritor.
Tema Paixão, Desejo, Culpa, Adolescência, Ingenuidade, Provocação, Violência, Literatura, Existencialismo|
Público-alvo 3.º Ciclo, Secundário, Universidade
Áreas Português, Literatura, História, Filosofia
Assunto
“A transmutação do livro para o filme é impossível. O livro tem uma forma literária, um grau de intimidade com o seu leitor e um grau filosófico e poético. Esse domínio de abstração é, objetivamente, muito difícil de criar num filme. A adaptação tornou-se, para mim, funcional quando fiz a análise do livro e senti que este impregnava momentos e vivências com que o próprio autor se confrontava. Vergílio procurava organizar, em matéria escrita, essas experiências e confrontá-las de uma forma espectral, quase como
fantasmas da sua vida. Essa atitude é muito cinematográfica.” Fernando Vendrell, realizador
Quarenta anos depois, seis ex-combatentes, que estiveram juntos na Guerra da África, continuam a encontrar-se. Eles sabem que, durante essas reuniões, falar sobre a Guerra é terapia para exorcizar pesadelos e fantasmas. O que os mantém vivos é o que os destruira: Memórias. A vida nunca mais foi a mesma. Tinham vinte e dois anos quando se conheceram na Guerra. O tempo parou por aí. Hoje, eles só existem quando estão juntos.
Maria, uma mulher de 72 anos, está a perder a visão devido a cataratas. O tempo de espera no hospital público prevê-se entre 3 a 6 anos. É um velho pescador, António, quem cuida de Maria. António tem uma paixão antiga e secreta por Maria. Ana, a filha de Maria, há muitos anos desavinda com a mãe, viaja de Lisboa para VRSA. O objetivo de Ana, ou a sua redenção, é que a mãe recupere a visão. Joga na lotaria, faz-se artista de rua, mas não tem sucesso. Entretanto, o Presidente da Câmara cria um protocolo com o governo de Cuba para operar os doentes com cataratas, do Concelho, por oftalmologistas cubanos.
António Barreto e Joana Pontes, Documentário, Portugal, 2010, 100'
Ensaio da autoria de António Barreto e Joana Pontes, As Horas do Douro é inspirado nos Livros de Horas, manuscritos iluminados comuns na Idade Média. Cada livro contém uma colecção de textos, orações e salmos adequados para determinados horários do dia. Partindo desta ideia medieval de inventário e registo anual, o filme dá a ver o modo como o ciclo da vinha e do vinho, veio central do filme, determina a vida das pessoas nesta região. O que se pretende mostrar, através do reconhecimento minucioso da transformação da paisagem ao longo das estações do ano, é que esta vinha é obra de homens, que o vinho é uma coisa humana e que assim tem de ser apresentado.
Quando um colega de carteira vai morar para outra cidade ou, por qualquer outra razão, é obri gado a mudar de escola, deixa sempre um lugar vazio. A sua falta é sentida, mas a vida continua, porque não há nada a fazer, nada de terrível a evitar. O caso de Milana é diferente. Estamos em 2067 e ela relembra um momento marcante da sua infância, que teve lugar há quase 60 anos, em 2009, quando era uma jovem imigrante chechena em Paris. A sua família, como tantas outras, não tinha os documentos em ordem e a ameaça de expulsão do país pairava constantemente sobre as suas cabeças. Quando se dá conta que o pior pode estar prestes a acontecer, o seu grupo de amigos, composto por Blaise, Alice, Claudio, Ali e Youssef, decide reunir esforços e fazer o possível e o impossível para salvar Milana. Enquanto aplicam as suas estratégias primárias para evitar que a deportação aconteça, os adultos fazem aquilo que sabem fazer melhor: preocupam-se. Mas isso não é suficiente para os mais novos. A confirmar a veia militante do realizador, esta é uma história política vivida pelos mais novos, que chama a atenção para o que de humano pode estar em falta na burocracia.
“Simultaneamente estranhos e familiares, distantes e próximos, inquietantes e sedutores, marginais e cosmopolitas, os ciganos apresentam-se envoltos numa aura de ambiguidade. Não se pode dizer que sejam invisíveis, pois dificilmente passam despercebidos.”
Daniel Seabra Lopes in Deriva Cigana, 2008
Tal como os ciganos, os sapos de loiça colocados à entrada de casas e estabelecimentos comerciais não passam despercebidos a um olhar mais atento. Este filme consiste num acto interventivo e social contra o significado simbólico e real contido nesses mesmos sapos.
Aurélia Rouviere/Seamus Haley, França, documentário, 2020, 90 min.
Banksy é um nome familiar mas, por trás deste nome, esconde-se uma multitude de histórias, obras de arte, acções espectaculares, posições políticas e, principalmente, identidades que nos levam a uma das maiores questões do mundo artístico contemporâneo – afinal quem é Banksy? Através de testemunhos de quem o conhece ou que trabalhou com ele, mas também de quem procura descobrir quem se esconde nesta persona, o filme apresenta-nos um retrato profundo deste moderno Robin dos Bosques. Cada uma destas investigações revela uma faceta do artista: o seu compromisso com as causas ambientais ou com os refugiados políticos, as suas ligações à cena musical e o seu lado empreendedor.
Sofia vive isolada num velho apartamento de família onde até o pó parece ser preservado. A pedido da sua mãe chega Mariama, uma jovem guineense, para ajudar a cuidar da casa e do seu filho. Mas onde está este filho que nunca vemos? Bobô, irmã mais nova de Mariama, vai despertar em Sofia uma vontade de sair do casulo. Atrás do seu sorriso confiante, Mariama atormenta-se com a ameaça da mutilação genital feminina a que Bobô está prestes a ser submetida… O encontro entre Sofia e Mariama fá-las confrontarem-se com os seus fantasmas.
“Bué Sabi” retrata a amizade improvável de três personagens femininas: uma cigana que mora na Buraca, a sua melhor amiga cabo-verdiana e uma jovem de classe média alta. Apesar de terem estatutos sociais diferentes, criam uma amizade livre de preconceitos, até que uma noite fatídica põe tudo em causa…
Ismini (13 anos) vai dormir a casa de Komal (12 anos), sua vizinha e
melhor amiga. As meninas estão convencidas que terão a sua primeira
menstruação. Amanhã tudo será diferente, serão mulheres. À noite
conversam sobre o amor, crescimento e acham que nada mudará na
relação delas. O que significa ser mulher e crescer? Filmada em stopmotion,
esta é uma maravilhosa obra sobre a intimidade e a partilha.
Ela tem 19 anos, chama-se Rita. Trabalha na perfumaria do centro comercial. Hoje vai casar. Vai ao cabeleireiro. Terramoto. De repente, decide cortar o cabelo curto. Paulo, o noivo, está à espera no registo civil. O que vai acontecer? Só vendo…
Jochem é vítima de bullying pelos seus colegas de escola. O seu amigo David não quer participar, mas tem medo de dizer alguma coisa. Uma manhã o diretor da escola conta à turma que Jochem não voltou para casa depois de uma festa. David sente‐se culpado e juntamente com um amigo vai à procura de Jochem para lhe dizer que está arrependido. Mas será que é tarde demais?
Tema Bullying
Público-alvo3.º Ciclo, Secundário, Universidade, Professores, Pais
Áreas Sociologia; Psicologia, Educação, Serviço Social, Direito, Formação
M/12Cívica, Educação Moral e Religiosa, Artes, Cinema
Assunto
«Não estou a gozar, só a brincar» Onde está a fronteira entre a brincadeira e a agressão? Neste filme encontramos um rapaz que sofre agressões físicas e psicológicas diariamente na sua escola, por causa do seu aspecto físico. A situação intensifica-se de tal modo até que acaba em tragédia.
Stefan Collier (Jochem) é um ator conhecido pelo filme Desculpa! – Uma história sobre bullying (2013), pela série Moordvrouw (2012) e a mini-série Beatrix, Oranje onder Vuur (2012).
Robin Boissevain (David), é um ator e escritor, conhecido pelos filmes Desculpa – Uma história sobre bullying (2013) e Escapade (2014) e pela série Gouden Bergen (2015).
Dorus Witte (Vera) é conhecida pelo seu trabalho em Desculpa! – Uma história sobre bullying (2013), pela série Gooische vrouwen (2005) e pelo filme Gooische vrouwen II (2014).
Ficha Técnica
Com Dave Mantel, Nils Verkooijen, Robin Boissevain, Dorus Witte, Mike Libanon, Jessica Zeylmaker, Stefan Collier, Edo Brunner, Fabienne Bergmans argumento Maria Peters, Carry Slee, Dick van den Heuvel Baseado no livroSpijt! de Carry Slee Director de Fotografia Erwin Steen Som Ruud Jehae Montagem Robin de Jong Música Herman Witkam Director de Arte Jan Rutgers Figurinos Ingrid Blankendaal Assistente de realização Marijn Braad Produtores Maria Peters, Hans Pos, Dave Schram, Danielle Guirguis Produção Shooting Star Filmcompany Realização Dave Schram Distribuição Zero em Comportamento / Projectos Paralelos
Em 2018, quase uma em cada quatro crianças (23%) afirmou ter sido vítima de bullying no último ano, quando em 2014 a percentagem era de apenas 10%. Os que admitem fazer bullying são agora 17%, valor que também duplicou face a 2010. Esta percentagem “cresce com a idade e é mais elevada entre rapazes do que entre raparigas”, refere o estudo “EU Kids Online” (Fevereiro/2019). (https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/uma-em-cada-quatro-criancas-sao-alvo-de-bullying-em-portugal)
De acordo com Filinto Lima, Presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, este “é o resultado do trabalho de sensibilização que vem sendo feita junto dos alunos” através da acção dos agentes do programa Escola Segura da PSP, “que vão periodicamente às escolas falar aos alunos sobre bullying”, e do aumento do número de psicólogos nas escolas: “De há três anos para cá, estão a chegar cada vez mais psicólogos às escolas e – embora, com cerca de um psicólogo para mil e duzentos alunos, continuemos aquém da média europeia – não há dúvida de que o reforço dos serviços de psicologia e orientação nas escolas tem ajudado a prevenir e a reduzir o bullying.” (in TALIS – Junho/2019 – https://www.publico.pt/2019/06/19/sociedade/noticia/bullying-escolas-portugal-desceu-metade-cinco-anos-1877005)
Por outro lado, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, considera que esta diminuição se explica pelo facto de as escolas não estarem a reportar os casos como deviam. “A não ser nos casos mais graves, boa parte das escolas tenta encontrar soluções internas e nem sempre reporta os problemas, embora tenha indicações para o fazer”, sustenta, concordando, todavia que a chegada de psicólogos às escolas ajudou à efectiva diminuição da violência entre alunos. (TALIS– Junho/2019) (https://www.publico.pt/2019/06/19/sociedade/noticia/bullying-escolas-portugal-desceu-metade-cinco-anos-1877005)
CRESCIMENTO DO CIBERBULLYING
Para 29% dos inquiridos, o bullying ocorre com bastante ou muita frequência, tanto online como cara a cara. Mas a maioria considera que o bullying através de meios tecnológicos é mais frequente. Também mais do que duplicou a percentagem dos que afirmam terem-se sentido perturbados com a exposição a conteúdos negativos no último ano. A percentagem passou de 7% dos inquiridos em 2010 para 10% em 2014 e para 23% em 2018.
“Uma em cada seis crianças e jovens que experienciaram ciberbullying (16%) teve de fazer coisas que não queria fazer”, refere o documento.
22% não pede ajuda
Quando há experiências negativas online, 22% não pede ajuda. Os outros queixam-se aos amigos (42%), pais (33%), irmãos (13%) e professores (5%).
Pais publicam imagens
sem perguntar aos filhos
Os autores do inquérito TALIS alertam para o aumento do ciberbullying em vários países. Em 2018, nenhum dirigente escolar português reportou ter tido pelo menos um caso por semana de publicação de conteúdos impróprios e danosos na Internet relativos a estudantes, dado que não agrada aos estudiosos da área. Para Tito de Morais, o fundador do projecto miudosegurosna.net, que promove segurança online de crianças e jovens, “as escolas não têm sistemas de denúncia eficazes. Nos Estados Unidos, os alunos podem fazer denúncias anónimas, por SMS, e-mail, através de uma aplicação de telemóvel ou mesmo na página da escola. Em Portugal, não conheço escolas com sistemas destes. E, mesmo quando os alunos denunciam, as escolas tendem a varrer o problema para debaixo do tapete, sobretudo desde que, por altura da intervenção da troika, o Observatório da Violência Escolar deixou de funcionar”. (TALIS– Junho/2019 – https://www.publico.pt/2019/06/19/sociedade/noticia/bullying-escolas-portugal-desceu-metade-cinco-anos-1877005)
O relatório TALIS sugere que os diferentes países incluam nos respectivos currículos conteúdos capazes de ajudar os alunos a actuar quando presenciam episódios de violência, bem como a fazerem constar das aulas matérias sobre a auto-regulação das emoções. O estabelecimento de códigos de conduta para os alunos, a par de sistemas eficazes de monitorização do problema nas escolas, devia ainda constar como prioridade nos diferentes sistemas educativos, sugere ainda a OCDE. (TALIS – Junho/2019 – https://www.publico.pt/2019/06/19/sociedade/noticia/bullying-escolas-portugal-desceu-metade-cinco-anos-1877005)
A escola deve:
• Implementar uma política anti-bullying nas escolas, envolvendo toda a comunidade educativa, para criar um ambiente escolar seguro.
• Criar políticas anti-bullying que façam parte do currículo, plano anual de atividades e do regulamento interno.
• Criar mecanismos de formação e sensibilização para professores e profissionais sobre a problemática do bullying, para melhor lidarem com estes incidentes e melhor apoiarem as vítimas, as testemunhas e os agressores/as.
• Deve diagnosticar os efeitos do bullying (onde, como e com quem), através de questionários aplicados aos/às alunos/as e outros membros da comunidade.
• informar, sensibilizar e mobilizar sempre que possível.
Não discriminação – uma política de justiça juvenil deve assegurar que todos/as são tratados/as de forma igual. Deve ser dedicada especial atenção aos casos de discriminação e disparidades que podem envolver grupos mais vulneráveis de crianças e jovens pertencentes a minorias, meninas e raparigas, crianças e jovens com deficiência ou as crianças e jovens que têm conflitos constantes com a justiça (reincidentes). Neste último caso, as medidas devem proporcionar apoio e assistência apropriadas para garantir a reintegração na sociedade, assim como promover a sensibilização da opinião pública destacando o direito destas crianças e jovens desempenharem uma função construtiva
na sociedade.
Superior interesse da criança – o superior interesse da criança e do jovem deve ser central em todas as decisões relacionadas com os sistemas de justiça juvenil. A protecção deste interesse pode ser, por exemplo, que os objetivos tradicionais da justiça criminal tais como a repressão/retribuição devem ser substituídos por objetivos que visam a reabilitação e a justiça restaurativa.
As vítimas devem:
• Falar, não ficar com o sofrimento das agressões dentro delas, num silêncio que as destrói emocionalmente.
• Dizer a um adulto quando são provocadas, humilhadas ou agredidas constantemente.
• evitar o/a agressor/a.
• tentar afastar-se de possíveis situações de conflito.
• Distrair o/a agressor/a, não lhe dando importância, não mostrando inquietação nem medo. • estar sempre que possível com amigos/as.
As testemunhas devem:
• Dizer ao agressor/a para parar.
• Ajudar a vítima a afastar-se da situação
de humilhação e agressão.
• Pedir a outros amigos/as para ajudar a resolver a situação.
• Pedir ajuda a um adulto ou relatar mesmo depois
do incidente ter acontecido.
• Mesmo não sendo, podem-se tornar amigos/as da vítima.
Os/as agressores/as devem:
• Ser responsabilizados/as pelos seus atos, não obrigatoriamente pela via punitiva.
• Sempre que possível, ser integrados/as em programas
de acompanhamento e recuperação.
• Os/as agressores/as devem fazer parte da definição
das suas eventuais sanções.
Os adultos devem:
• estar atentos a possíveis sinais de bullying nas crianças e jovens;
• Fazer perguntas diretas às crianças, sobre como os/as colegas as tratam e se testemunham com frequência situações de bullying;
• Cooperar com professores/as, assistentes operacionais e todos os outros membros da comunidade escolar para abordar
e resolver incidentes de bullying;
• Encarar relatos e situações de bullying com toda a seriedade,
por menores que possam parecer;
• Reforçar positivamente a atitude da criança que relata episódios de bullying;
• Ensinar as crianças a serem assertivas e não agressivas;
• Sensibilizar as crianças para estratégias para lidar
e combater o bullying;
• Promover ambientes e atitudes favoráveis de socialização
para as crianças. (Um Recurso Educativo Baseado nos Direitos Humanos para Combater a Discriminação – #StopBullying – 2013 – https://www.amnistia.pt/wp-content/uploads/2017/10/Manual_-Stop_Bullying_AI_Portugal.pdf)
Um dia Joaquín acorda e descobre que a mulher o deixou e ao filho. O que lhes custa mais suportar é o facto de ela já não estar lá para fazer todo o trabalho doméstico. Os dois vão encontrar uma solução surpreendente.
DONZELA GUERREIRA ficciona o Portugal de meados do século XX. A partir da figura de Emília, uma escritora, em Lisboa, no ano de 1959, o filme convoca vultos, lugares, situações, receios e ironias numa aproximação aos universos literários de Maria Judite de Carvalho e Irene Lisboa, escritoras da cidade e das personagens que nela habitam. Guiados pela voz e olhar de Emília, entramos num jogo entre as imagens de arquivo da cidade e a efabulação pura. É uma Lisboa de ruas, jardins e casas onde habitam mulheres que olham para si próprias e umas para as outras, que ocupam os lugares que lhes destinam e o silêncio a que as votam. Por mote, a história de uma donzela que se veste de homem para ir guerrear.
João Trabulo, Portugal, documentário, 2003, 70 min.
Filme que funde ficcão e documentário, a partir do trabalho do escultor português Rui Chafes. Durante o Fim é uma viagem ao universo artístico, interior e secreto do escultor Rui Chafes. No atelier, território de eleição do artista, percebe-se como tudo acontece: do barulho das máquinas ao silêncio que envolve a concepção e idealização de cada escultura, surgem sons, imagens e vozes de outros tempos.
Joaquim Pinto, Documentário, Portugal, 2013, 164 min.
Joaquim Pinto, que vive com HIV há mais de duas décadas, faz uma retrospectiva da sua vida no cinema, de suas amizades e amores, dos mistérios da arte e da natureza – tudo isso enquanto se submete a um tratamento medicamentoso experimental.
Daniel Blaufuks, Documentário, Portugal, 2011, 67'
Éden é um documentário sobre a presença do cinema na sociedade e no imaginário contemporâneo, analisado a partir de um fenómeno particular: a presença de um filme desaparecido na memória colectiva de um microcosmo social implantado a meio do oceano Atlântico – São Vicente, Cabo Verde. Entre os anos 40 e 50 foram feitos quatro filmes nesta ilha, realizados e interpretados por jovens amadores cabo-verdianos. “A Força da Cobiça” o primeiro e único que ainda existe, os westerns “O Cavaleiro Mascarado”, “O Guarda Vingador” e já em 54, o drama “O Segredo dum Coração Culpado”, uma história de amor entre dois irmãos. Este é o pretexto para se levantar questões sobre as funções do cinema na sociedade e as consequências do desaparecimento físico das salas de projecção e do seu visionamento em núcleos pequenos e caseiros. Em São Vicente viu-se cinema, fez-se cinema e viveu-se o cinema. Este documentário pretende contar um pouco dessa história, a história de uma ilha e de um tempo em que as únicas formas de lá sair eram através do mar ou do cinema.
Jorge é um solitário escritor de romances de cordel. À noite olha através das janelas iluminadas as pessoas nas suas casas e pensa que elas, sim, são felizes. Um dia o acaso, pensa ele, leva-o até à casa onde vive Laura com o seu filho André, e através das grandes janelas Jorge descobre a montra de uma vida perfeita. Mas as vidas perfeitas só o são quando vistas de fora. De perto nada é o que parece: o anterior marido de Laura desapareceu misteriosamente e estranhos telefonemas perturbam a imperturbável Laura. Jorge não se assusta, quer protegê-la. Inventa um homem feito à medida de Laura, um homem para ela amar e consegue entrar naquele mundo maravilhoso que julga conhecer.
António Ferreira, Ficção, Portugal, Espanha, Brasil, 2010, 80 min.
Nuno é um homem que trabalha numa roulotte de bifanas, mas que inventou uma máquina que promete revolucionar a indústria do calçado – um digitalizador de pés. No meio de um embargo petrolífero e deparando-se com uma estranha dificuldade, Nuno tenta obstinadamente vender a máquina, obcecado por um sucesso que o fará descurar algumas das coisas essenciais da sua vida.
Quando Nuno fica estranhamente enclausurado no seu próprio carro e perde uma oportunidade única de finalmente produzir o seu invento, vê subitamente a sua vida embargada.