secundário

À Solta na Internet


Barbora Chalupová e Vít Klusák, República Checa, documentário, 2020, 100'
Sinopse

Três actrizes, três quartos de criança, 10 dias e 2.458 predadores sexuais. Uma experiência que lança uma luz sobre a questão da exploração online de crianças. Três actrizes, maiores de 18 anosmas com ar bem juvenil, fazem-se passar por meninas de 12 anos em falsos perfis nas redes sociais. Em quartos de criança recriados num estúdio, elas conversam através de chats e de Skype com homens de diferentes idades que as procuraram e contactaram online. A maioria destes homens pede-lhes vídeos sexuais e enviam-lhes fotos suas bem explícitas. Alguns até tentam chantageá-las. Este documentário mostra o drama destas actrizes à medida que as suas personagens vão passando das relações online até ao real encontro com os predadores (vigiado por seguranças e câmaras escondidas). Às tantas, as tácticas predatórias viram-se contra os predadores e os caçadores tornam-se as presas.

Como tudo começou

No outono de 2017, a operadora de telecomunicações O2 pediu ao realizador Vít Klusák para criar um vídeo que se tornasse viral, com o propósito de chamar a atenção para o enorme crescimento do número de crianças vítimas de abuso online na República Checa. Klusák chamou a sua colega Barbora Chalupováe ambos criaram o falso perfil de Týnka, uma rapariga de 12 anos, para ver o que acontecia. Em menos de 5 horas,83 homens entre os 23 e os 63 anos, estabeleceram contacto com esse perfil, sendo que uma esmagadora maioria solicitou-lhe a masturbação mútua através do chat de vídeo. Muitos enviaram fotografias dos seus pénis erectos sem qualquer pré-aviso, enquanto outros enviaram links para diferentes tipos de pornografia, incluindo com animais. Nessa mesma tarde, quatro homens satisfizeram-se em frente à webcam sem que “Týnka” tivesse alguma vez aparecido “ao vivo”. Ao fim depoucos dias, os realizadores concluíram que o fenómeno tinha todos os ingredientes para ser tornar um documentário de longa metragem e não apenas para um pequeno vídeo viral.

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Ficha Técnica

Documentário • 2020 • 100 min. • República Checa • M/14
Versão escolar: 63 min.• M/12

Hypermarket Film
Czech Television
Peter Kerekes Radio
Television Slovakia Helium Film

com
Sabina Dlouhá
Anežka Pithartová
Tereza Těžká

escrito e realizado por
Barbora Chalupová 
Vít Klusák

direção de fotografia
Adam Kruliš

som
Adam Bláha

música
Pjoni Film

montagem
Vít Klusák

décors
Jan Vlček

guarda-roupa
Veronika Traburová

maquilhagem
Artist Barbora Potužníková

mascáras digitais
Plaftik

direção de produção
Anna Poláčková

produção executiva
Pavla Klimešová

produtores
Vít Klusák & Filip Remunda

As Mãos no Ar


Romain Goupil, Ficção, França, 2010, 90'

Quando um colega de carteira vai morar para outra cidade ou, por qualquer outra razão, é obri gado a mudar de escola, deixa sempre um lugar vazio. A sua falta é sentida, mas a vida continua, porque não há nada a fazer, nada de terrível a evitar. O caso de Milana é diferente. Estamos em 2067 e ela relembra um momento marcante da sua infância, que teve lugar há quase 60 anos, em 2009, quando era uma jovem imigrante chechena em Paris. A sua família, como tantas outras, não tinha os documentos em ordem e a ameaça de expulsão do país pairava constantemente sobre as suas cabeças. Quando se dá conta que o pior pode estar prestes a acontecer, o seu grupo de amigos, composto por Blaise, Alice, Claudio, Ali e Youssef, decide reunir esforços e fazer o possível e o impossível para salvar Milana. Enquanto aplicam as suas estratégias primárias para evitar que a deportação aconteça, os adultos fazem aquilo que sabem fazer melhor: preocupam-se. Mas isso não é suficiente para os mais novos. A confirmar a veia militante do realizador, esta é uma história política vivida pelos mais novos, que chama a atenção para o que de humano pode estar em falta na burocracia.

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Desperdício Desperdiçado


Pedro Serra, Documentário, Portugal, 84 min., 2017

3,6 milhões de kg de comida são desperdiçados diariamente em todo o mundo.
870 milhões de pessoas poderiam ser alimentadas apenas com este desperdício (Dados FAO). 800 milhões de pessoas passam fome no nosso Planeta.
1/3 dos alimentos do Planeta vão parar ao lixo, quando 198mil hectares foram usados para produzir toda esta comida desperdiçada.

Este documentário é sobre estilos de vida individuais com repercussões conscientes no colectivo. Porque do ponto de vista da Natureza não existe desperdício. É a simbiose da vida. Um todo constituído de variáveis interdependentes, cada uma com sua causa e reação.

Freeganismo é um estilo de vida alternativo baseado no boicote ao capitalismo, com vista a diminuir o impacto causado no meio ambiente e rejeitando qualquer forma de exploração humana e animal. Fazem-no através do consumo limitado e consciente de recursos, bem como o resgate (re-aproveitamento) do desperdício. Não por necessidade. Mas por acreditarem que a sociedade produz acima das suas necessidades e possibilidades, com vista a dar continuidade a uma sociedade de consumo e crescimento ilusório.

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Kauwboy – O Rapaz e o Pássaro


Boudewijn Koole, Ficção, Holanda, 2012, 81’

Jojo, um menino de 10 anos de idade, tem uma família difícil: o pai sofre de violentas mudanças de humor e a mãe está sempre ausente. Um dia, Jojo encontra uma gralha bebé, abandonada e leva-a para casa escondida. Através da sua amizade especial com o pássaro e a capacidade de adaptação que só as crianças possuem, Jojo encontra uma maneira de se aproximar do pai.

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Leroy


Armin Völckers, Ficção, Alemanha/Suécia, 2008, 85'

Leroy, um afro-alemão de 16 anos, é demasiado alemão para ser negro. A sua vida complica-se quando conhece os irmãos skinhead da sua namorada Eva.

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Limiar


Coraci Ruiz, documentário, Brasil, 2020, 73 min.

Documentário autobiográfico realizado por uma mãe que acompanha a transição de género do seu filho adolescente: entre 2016 e 2019 ela entrevista-o, abordando os conflitos, certezas e incertezas que o perpassam, numa busca profunda pela sua identidade. Ao mesmo tempo, a mãe, revelada por meio de uma narração na primeira pessoa e pela sua voz que conversa com o filho por detrás da câmara, passa ela também por um processo de transformação que a obriga a romper velhos paradigmas, enfrentar medos e desmantelar preconceitos.

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Mar Urbano Lisboa


José Vieira Mendes e Ricardo Gomes, Documentário, Portugal, 2020, 48 minutos.

O Tejo é o Mar de Lisboa: o rio, a cidade, as pessoas, os peixes, os recursos, o ecossistema e a biodiversidade marinha.

MAR URBANO LISBOA é um documentário ambiental sobre os recursos de um ecossistema único que é o Estuário do Rio Tejo, e que desenvolve um amplo debate sobre a qualidade das águas, sobre a sua biodiversidade marinha, sobre o futuro da cidade e da área metropolitana que a rodeia. Lisboa e os seus arredores são locais privilegiados para trabalhar, para desfrutar do lazer e de uma excelente qualidade de vida, além de serem um ponto de partida e de chegada para o turismo de mar, para os cruzeiros, navegação marítima e recreio.

MAR URBANO LISBOA mostra a relação dos lisboetas e dos forasteiros com o Rio Tejo, os resquícios da pesca artesanal e de lazer, da construção de barcos tradicionais, que ainda resistem apesar das mudanças, uma reflexão que não termina nas zonas ribeirinhas, que os lisboetas pouco a pouco conquistaram, mas que se adentra e mergulha nos fundos marinhos do Estuário do Tejo e passeia pelas margens desse mar de Lisboa, que se prolonga da Zona Oriental, da Margem Sul, à Linha.

MAR URBANO LISBOA é um filme em defesa do Rio Tejo, que testemunha a resiliência dos ecossistemas marinhos, da evolução da qualidade das águas, da conservação das diferentes espécies de vida marinha típicas do Estuário, influenciadas igualmente pelas alterações climáticas.

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Melhores Amigas


Marion Desseigne Ravel, França, ficção, 2021, 81 min.

Nedjma, uma adolescente que vive com a mãe e a irmã, passa o verão com o seu grupo de amigas. Quando conhece Zina, uma rapariga de outro gangue, a sua vida vira do avesso. À luz do dia são rivais mas, em segredo são amantes. Arrastada num turbilhão, vê-se dividida entre os princípios do bairro e o seu próprio desejo que ninguém à sua volta consegue sequer compreender, quanto mais tolerar. Nedjma terá de fazer uma escolha que irá definir quem verdadeiramente é.

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Montado – O Bosque do Lince Ibérico


Joaquín Gutiérrez Acha, Portugal/espanha, documentário, 2022, 95 min.
Sinopse

Existe um bosque ancestral na Península Ibérica que conserva uma biodiversidade extraordinária: é o Montado. Na Idade Média as comunidades rurais decidiram eliminar parte dos bosques que rodeavam as suas vilas de modo a evitar emboscadas por parte de invasores. Esta estratégia bélica foi-se estendendo paulatinamente ao longo das planícies douradas, dando origem a um modelo florestal tipicamente ibérico onde o aproveitamento de recursos conviveu sempre em harmonia com a vida selvagem.
Desde então, as aves mais lendárias do Mediterrâneo constroem os seus ninhos nos ramos destas velhas árvores e, sob as suas copas, uma infinidade de seres participa no banquete dos frutos, enquanto outra multitude de criaturas se esconde nas suas concavidades. Mas acima de tudo, o Montado é um campo de batalha – é o lugar onde os grandes herbívoros se desafiam, onde águias formidáveis caçam, onde, sob a pressão dos mangustos, convivem os maiores répteis da Europa e onde atrás das flores se escondem predadores com as camuflagens mais fantásticas.

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O Montado

O Montado é um ecossistema semi-natural criado pelo homem há centenas de anos. Caracterizado pelo clima mediterrânico, a Península Ibérica é o lugar onde atinge maior expressão, ocupando um terço de toda a sua área florestal (56% em Portugal e 44% em Espanha). Equiparado à Amazónia, à savana africana, aos Andes ou ao Bornéu, o montado é hoje um dos 35 santuários mundiais da biodiversidade, oferecendo abrigo e alimento a mais de 160 espécies de aves, 24 espécies de répteis e anfíbios, 37 espécies de mamíferos, algumas das quais em elevado risco de extinção como o lince ibérico ou a águia-imperial, e ainda a muitas outras espécies vegetais. Por tudo isto, estes extensos bosques de sobreiros e azinheiras representam um dos símbolos mais importantes do nosso país, trazendo-lhe inúmeros benefícios.

A nível ambiental, o montado cumpre funções importantíssimas: fixa até 14 milhões de toneladas de CO2 por ano, combate o aquecimento global e a desertificação, controla a erosão e regula o ciclo hidrológico. Do ponto de visto económico, ele garante um rendimento de mais de 900 milhões de euros por ano ao nosso país, servindo de suporte à indústria da cortiça mas também a outras actividades de valor cultural incomensurável que caracterizam a identidade regional: o pastoreio, a recolha de frutos para alimentação animal, as culturas agrícolas, as actividades cinegéticas. Tendo nascido graças à intervenção do homem para efeitos de defesa e aproveitamento de recursos, a utilização informada e responsável desta paisagem cultural continua a ser indispensável para a sua preservação e sustentabilidade.

Num dos bosques mais antigos da Europa, têm subsistido, ao longo de milhões de anos, muitas espécies vegetais de origem arcaica.
Sobre estas árvores, três grandes águias que acabam de chegar de uma épica travessia iniciada em África, vigiam o solo em busca de répteis e serpentes, até que finalmente mergulham a grande velocidade, atacando violentamente as suas presas.
Mas ao lado desta espécie africana voam também as águias-imperiais-ibéricas, espécie endémica da nossa fauna e em vias de extinção, o que faz dela uma das aves mais raras do mundo. Quando a sua sombra se projecta sobre as planícies do montado, todos os seus habitantes estremecem, sobretudo os coelhos, em cuja caça se especializaram.
Utilizamos estas ameaçadoras personagens aéreas não só para proporcionar o drama que o filme pede mas também para viajar através das diferentes paisagens que compõem este ecossistema.

Já no solo, onde desabrocham inúmeras espécies de flores, vamos descobrir um universo misterioso formado por uma multitude de plantas e de fauna invertebrada com ritos únicos, como as aranhas-caranguejo que se tornam invisíveis aos olhos das suas presas ao adoptarem a cor das plantas; as aranhas-lobo, que perseguem as presas em movimento; as aranhas-tigre que tecem teias de seda mortais; ou ainda as aranhas-religiosas, que devoram o próprio cônjuge.
Recorrendo a drones e helicópteros para capturar poderosas imagens aéreas, sobrevoaremos montados que atravessam o Alentejo, a Andaluzia, a Estremadura e Castela e Leão. A partir destas localizações, presenciaremos a chegada de novos inquilinos provenientes de países longínquos como os pombos reais, os milhafres, os abutres de cara amarela ou os abutres do Egipto, que se deixam ficar por estas paradas antes de regressarem às respectivas estâncias de reprodução, proporcionando uma azáfama maravilhosa.
É Primavera e as famílias de coelhos aparecem à entrada dos covis – sem dúvida a pedra angular desta paisagem mediterrânica porque constitui a base da cadeia alimentar de vários predadores. A sua estratégia de sobrevivência consiste em garantir a existência de muitos para conseguir a sobrevivência de apenas alguns e por isso estas famílias têm mais de nove crias a cada ninhada e reproduzem-se várias vezes por ano.

É por esta altura que se revela uma das razões mais importantes para os homens terem desbastado este terreno: todo o manto vegetal se converte numa grande extensão de pastos para o gado. Touros bravos, ovelhas, vacas andaluzas e uma série de outras espécies bovinas e suínas partilham o alimento com outros herbívoros selvagens; como os cervos, os gamos e os muflões.
Mas entre toda esta fauna vive também o mangusto africano… É um grande caçador de serpentes, cujo corpo está desenhado para se infiltrar nos arbustos e para se arrastar através do solo, mas é também um predador de coelhos. Extraordinariamente agressivo mas também muito cauteloso, é um mamífero difícil de observar, que corre sérios riscos de vida nesta sua emboscada porque vive no mesmo território que o maior felino da fauna ibérica: o lince. Qualquer mangusto que se cruze no caminho do grande gato será aniquilado e deixado ao abandono, porque o lince elimina qualquer ser vivo que compita consigo na perseguição daquele que é o seu alimento mais apreciado e quase exclusivo: o coelho.

É através desta intriga que entraremos no território do lince, para revelar a vida privada deste grande carnívoro que protagoniza certamente um dos momentos mais belos desta obra.
Apesar de não existirem assim tantos lugares onde se possam esconder, o montado também oferece abrigo a alguns dos maiores répteis da Europa: o sardão, um impressionante devorador de insectos e de pequenos vertebrados, ou a grande cobra bastarda, que se converteu numa lenda graças à sua dimensão que facilmente supera os dois metros de comprimento. Extremamente astuta, é capaz de combinar as duas técnicas de caça utilizadas pelas serpentes: a constrição, por asfixia das vítimas, e o envenenamento, por paralisação.
Com o passar dos dias as temperaturas sobem e o calor põe em perigo a sobrevivência dos seus habitantes. É então que os répteis saem de cena, ocultando-se nas profundezas do subsolo para dar início ao período de estivação.
Ao mesmo tempo, o mundo vegetal enfrenta o seu maior drama. Apesar das suas estratégias milenares para evitar a desidratação, as árvores são atacadas não só pelos escaravelhos devoradores mas também pelo seu inimigo mortal: um fungo que se encontra no subsolo e que consome as suas raízes ancestrais, impossibilitando-as de absorver alimento. Mas nas suas copas, com mais de dois metros e meio de envergadura, os abutres negros suportam o calor, protegendo-as da insolação como um chapéu de sol. Esta, que é a maior ave voadora da Europa, observa as redondezas a partir deste poleiro, em busca de cadáveres.
Ao cair do sol, o calor começa a diminuir a pouco e pouco, dando tréguas às populações do montado. É quando um novo exército de animais em luta pela vida faz a sua aparição. Os raros oásis que se encontram nas redondezas transformam-se agora em lugares de reunião para os animais selvagens.

Muitos, ávidos de água, aproximam-se para beber, mas tantos outros descobriram o local ideal para caçar. Grandes mochos, alucos e corujas substituem assim as grandes águias nos seus lugares de vigia. São elas o verdadeiro perigo da noite que, apesar da sua visão aguçada, usa a audição como principal arma de caça. Os pequenos roedores, mamíferos insectívoros, as lebres ou os coelhos são algumas das suas presas potenciais. Mesmo a grande distância conseguem localizar a sua posição exacta e, graças a uma plumagem sofisticada que lhes permite realizar um voo absolutamente silencioso, atacam as presas por via da surpresa, aparecendo-lhes à frente como se fossem fantasmas.
Já o mangusto é substituído pela fuinha. Capaz de se mover agilmente pelos ramos das árvores e através do solo, caçam tanto pássaros durante o sono como outros pequenos mamíferos que se deslocam entre as árvores ou nos pastos mais próximos.
Mas, a fauna invertebrada também se faz representar durante a noite. Caçadores implacáveis dotados de um ferrão venenoso, os escorpiões ocultam-se em lugares estratégicos e ficam à espreita de algum insecto desafortunado que se atravesse no seu caminho. Nesse momento, atiram-se sobre a presa fixando-a com as suas pinças e injecta nela o seu ferrão repetidamente, até lhe causar a morte.
Este lado mais fatídico da vida de qualquer aracnídeo, muda radicalmente quando os vemos entregues às tarefas de reprodução. Dando à luz mais de trinta crias que carregam consigo até se emanciparem, as aranhas possuem um instinto canibal que por vezes pode determinar a morte de alguns elementos da ninhada. Recorrendo a potentes teleobjectivas, filmámos a rotina destes animais incríveis, tão pouco conhecidos, procurando acrescentar à sua má reputação o seu lado mais amável.

É então que, mal despontam os primeiros raios da aurora, se começam a ouvir ruídos inéditos. Desde há centenas de anos que o homem firmou um compromisso com este território, extraindo a cada nove anos a cortiça dos sobreiros a troco de protecção contra o fogo. Com efeito, a cortiça é um material ignífugo que os sobreiros desenvolvem para se protegerem dos incêndios florestais – um recurso natural exemplificativo da exploração sustentável.
Filmámos este processo ancestral no maior montado da península, enquanto assistimos à azáfama da fauna em redor, representando o homem e a sua actividade apenas como mais um elemento que compõe esta paisagem cultural multifacetada e interdependente.
Conduzindo as suas mulas através dos vales, carregando o fardo, os homens chegam então ao chamado ‘pátio da cortiça’, onde se pesa e selecciona a matéria-prima. Depois de terminarem o seu trabalho, as mulas são levadas até ao ribeiro mais próximo para apaziguarem a sua sede. É durante esta transição que introduzimos o espectador ao pescador mais implacável da fauna ibérica: o martim-pescador. Utilizando uma câmara capaz de registar mais de 1500 imagens por segundo, filmamos as preciosas artes piscatórias desta minúscula ave que com a ajuda das suas pequenas asas é capaz de se lançar como um verdadeiro projéctil sobre a superfície da água, capturando as suas presas desprevenidas.

É desta vez, junto das cegonhas brancas e negras, que assistimos ao fenómeno migratório de regresso ao continente africano, no final da sua época de reprodução.
As nuvens aproximam-se anunciando que algo vai mudar. Em pouco tempo a chuva muda a aparência do montado e imediatamente surgem novas flores, ressuscitando as grandes extensões douradas.

Do interior do bosque, começam a ouvir-se os bramidos dos cervos preparando-se para o momento da batalha. Os maiores machos surgem das zonas mais densas do bosque para se colocarem à mostra no meio das planícies, convocando os adversários. Os machos sucedem-se assim em combates que podem chegar até à morte para consagrar um último vencedor ao qual será concedido um harém de fêmeas. Entre os derrotados encontrar-se-ão feridos, sobreviventes e ainda outros que passarão a ser alimento dos animais necrófilos.
É nesse momento que um exército de abutres desce do céu, voando em círculos por cima dos cadáveres. Emitindo uma série de sinais que alertam o grupo para a existência de alimento, as aves acumulam-se no solo em função de uma hierarquia determinada pela agressividade do mais esfomeado. Poucos minutos depois já só sobram ossos. Com efeito, os abutres desempenham um papel vital na sustentabilidade do montado. Encarregues da limpeza do campo, evitam assim o desenvolvimento de inúmeras doenças.
Por fim, levantam voo e nós levantamos voo com eles. A partir do céu contemplamos a imensidão e a variedade deste ecossistema único que é tão característico da identidade do nosso país.
Neste momento, as chuvas já pararam e as árvores começam a dar fruto. Surgem as primeiras bolotas pelas quais muitos animais estavam à espera. Mas não são apenas os animais residentes que usufruem delas. A partir do norte da Europa chegam milhares de aves em busca deste precioso alimento. É aqui no montado que várias comunidades de grous permanecem durante o inverno até receberem a chamada para a reprodução que as faz regressar mais uma vez aos seus países de origem.

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Relatório de imprensa

JOAQUÍN GUTIÉRREZ ACHA

É um naturalista, produtor e realizador de documentários sobre a vida selvagem. É o primeiro espanhol a conseguir apoio e financiamento das televisões mais prestigiadas do mundo como a National Geographic Television, a BBC (Natural History Unit), a Survival Anglia Television, o Canal + Espanha, o Canal + França, a Terra Mater Factual Studios e o Parthenon Entertainment. Os seus projectos têm uma grande repercussão no mercado internacional de documentários ganhando vários prémios e sendo emitidos por televisões em todo o mundo. Joaquín Gutiérrez Acha trabalha também para revistas prestigiadas do setor (Periplo, Geo, Natura, Quercus) e realiza os seus próprios textos e fotografias. No seu currículo conta também com vários prémios de fotografia de natureza e conseguiu mais de vinte capas de jornal. O seu arquivo é comercializado atualmente pela prestigiosa agência britânica OSF (Oxfor Scientifics Films) e as suas imagens em movimento são comercializadas pela National Geographic Digital Motion. É membro da International Association of Wildlife Film Makers.

Ficha Técnica

Coproduzido por:
Pandora Da Cunha Telles, Pablo Iraola

Escrito e realizado por:
Joaquín Gutiérrez Acha

Narrado por:
Joana Seixas

Produtores executivos:
José María Morales, Miguel Morales, Carmen Rodriguez

Direcção de produção:
Carmen Rodriguez

Direcção de fotografia:
Joaquín Gutiérrez Acha

Música:
Pablo Martin Caminero

Montagem:
Iván Aledo

Som:
Carlos De Hita

Câmaras adicionais:
Rubén Cebrián, Luke Massey

Pós-produção de som:
Juan Ferro

Consultores:
Salvador Suano, Mario Cea, Jorge Borges

Produzido por:
Wanda Natura, Ukbar Filmes

Género:
Documentário de natureza

Período de rodagem:
18 -20 meses

Locais de rodagem:
Alentejo (Pt), Andaluzía (Es), Estremadura (Es), Castilla-León (Es), Conclusão do filme 2020

Produtor:
José María Morales

O Bando dos Crocodilos


Christian Ditter, Ficção, Alemanha, 2009, 96'

Hannes, de dez anos, vive sozinho com a sua mãe, e quer muito juntar-se ao grupo mais interessante da região, Os Crocodilos. Durante o seu desastroso teste de entrada, vê a sua vida ser salva por Kai, um rapaz imobilizado numa cadeira de rodas. Tal como Hannes, também Kai gostaria de fazer parte do grupo, mas todos acham que ele seria incapaz de fugir se as coisas ficassem complicadas. Contudo, ao assistir a um assalto, Kai torna-se subitamente interessante para o grupo, forçando a entrada de Hannes. Com os novos elementos, Os Crocodilos estão prontos a resolver um emocionante mistério. Baseado num livro de Max von der Grün, este filme foi premiado em inúmeros festivais de cinema para crianças, tornando-se um grande sucesso de público.

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O Fim da Carne


Marc Pierschel, Documentário, Alemanha, 2017, 94 min.

Em O Fim da Carne, o realizador Marc Pierschel embarca numa jornada para descobrir que efeito um mundo pós-carne teria sobre o meio ambiente, os animais e nós mesmos.
No percurso, conhece Esther, a “Wonder Pig”, que se tornou um fenómeno da internet; fala com pioneiros que lideram o movimento vegan na Alemanha; visita a primeira cidade totalmente vegetariana da Índia; testemunhas resgatam animais aprisionados, desfrutando a sua liberdade recém-descoberta; observa os futuros inovadores em alimentos que produzem carnes e queijos sem origem animal e muito mais.

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O Mito Americano de Dormir Fora!


David Robert Mitchell, Ficção, EUA, 2010, 93'

Ambientado nas longas estradas, apartamentos de bairro, fábricas abandonadas e lagos que compõem a Metro-Detroit, esta história segue quatro jovens que procuram amor e aventura numa última noite de Verão: Maggie, Rob, Claudia e Scott atravessam caminhos à medida que exploram o país encantado dos subúrbios perseguindo primeiros beijos, paixonetas esquivas, a popularidade e festas. Andam à procura da icónica experiência da adolescência, mas em vez dela descobrem os momentos tranquilos que mais tarde se hão de tornar a face da juventude que vão olhar com nostalgia.

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Patriarcado, Uma História Por Acabar


Pedro Serra, documentário, Portugal, 2021, 93 min

Este documentário é uma compilação de entrevistas a 20 activistas sobre Feminismo interseccional e o Patriarcado em Portugal. Tocando em temas desde o empoderamento feminino, à desconstrução da masculinidade hegemónica, passando pela perspectiva das emoções, cultura da violência e a forma em como tudo isto está enraizado na educação das crianças desde tenra idade. O filme tem como mote o questionamento dos padrões de género numa sociedade extremamente binária e heteronormativa, bem como o fim de toda e qualquer opressão/repressão.

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Que Estranha Forma de Vida


Pedro Serra, Documentário, Portugal, 2015, 110 min., 2015

Documentário sobre estilos de vida alternativos que procuram viver em harmonia com a natureza e baseados na sustentabilidade.
Acompanhamos de perto a eco-aldeia de Cabrum, recente comunidade no norte de Portugal; a Cooperativa Integral Catalana no seu projecto “Áurea Social” em Barcelona, a qual pratica a autogestão com moeda própria – o Eco; e por fim, a comunidade auto-sustentável – Tamera – situada em Portugal também, com quase 20 anos de existência, centro de pesquisa para a paz, com filosofia de amor livre, detentora do próprio ensino, auto-suficiente em energia e alimentos, um biótipo para a cura global de consciência.

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Raparigas / Museu


Shelly Silver, Documentário, Alemanha, 2020, 71 min.

Uma viagem pela histórica colecção do Museu de Belas Artes de Leipzig, guiada por um grupo de raparigas com idades entre os 7 e os 19 anos.
Passando de obra em obra, de século em século, elas partilham connosco a sua perspectiva do que vêem. Ao nascermos, entramos num mundo previamente construído – não escolhemos a nossa própria história, contexto ou cultura. Cada um de nós encara, com um novo olhar, uma cultura que já foi moldada e estruturada com base nos desejos e decisões de outros. Esta cultura é, frequentemente, opaca e escondida sob a superfície do “como é” e do “como foi”. Os museus são instituições concebidas para preservar – são um repositório de visões muitíssimo selectivas da história e da civilização. As obras de arte apresentadas sob a capa da educação e do conhecimento foram, ao logo da história, concebidas, colecionadas, escolhidas e contextualizadas por homens. Não faltam representações de mulheres, mães, esposas, prostitutas, modelos e musas – sejam contemporâneas, clássicas ou religiosas, a larguíssima maioria dessas figuras foi feita sob a perspectiva de homens. Tendo em conta este desequilíbrio, como é que estas obras deverão ser observadas hoje em dia?

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Salma


Kim Longinotto, Documentário, Reino Unido, Índia, 2013, 89'

Quando Salma, uma jovem muçulmana do sul da Índia, tinha 13 anos, foi trancada pela sua família durante 25 anos, que a proibiu de estudar e a forçou a casar. Durante esse tempo, as palavras foram a salvação de Salma. Ela começou secretamente a compor poemas em pedaços de papel e, por meio de um sistema complexo, foi capaz de os tirar de casa, e levá-los para as mãos de um editor. Contra todas as expectativas, Salma tornou-se a mais famosa poeta Tamil: o primeiro passo para a descoberta de sua própria liberdade e o desafiar das tradições e códigos de conduta na sua aldeia.

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Ser e Ter


Nicolas Philibert, França, documentário, 2002, 104 min.

Numa escola primária na região de Auvergne em França, Georges Lopez é professor de uma turma de 13 crianças, com idades compreendidas entre os 4 e os 10 anos.
Lopez, um educador veterano à beira da reforma, é um modelo de sensibilidade e compreensão a lidar com crianças. Nunca levantando a sua voz e falando directamente com eles, o seu afecto é tão notório como o respeito e a confiança que as crianças têm por ele.

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STOP – ZEMLIA – SE NÃO ARRISCARES NUNCA SABERÁS


Kateryna Gornostai, ficção, Ucrânia, 122 min.

Ultrapassando a confusão emocional de esperar que a sua vida adulta comece enquanto se diverte com os seus amigos –uma autêntica, radical e sensível realidade do que é ser adolescente e uma perspectiva da adolescência ucraniana.
A tímida Masha, estudante do 12.o ano, sente-se como uma outsider senão estiver com os colegas Yana e Senia, que partilham a sua visão não-conformista da vida. Enquanto tenta ultrapassar o último ano do secundário, Masha apaixona-se, de uma forma que a obriga sair da sua zona de conforto.
Primeira obra de uma realizadora ucraniana, esta é uma história pessoal sobre a paciência que a auto-descoberta exige.

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Um Oceano de Plástico


Craig Leeson, Documentário, Hong Kong, 102 min

Um Oceano de Plástico documenta as consequências do nosso estilo de vida, baseado em plástico descartável, e testemunha a destruição que estamos a causar às aves marinhas, tartarugas, mamíferos marinhos e peixes. O filme apresenta também algumas tecnologias exequíveis e soluções inovadoras que todos – dos governos aos indivíduos – podem colocar em prática para voltarmos a ter um oceano limpo e mais sustentável.

Tema A poluição de plástico nos oceanos e os efeitos que isso causa em nós e no planeta

Público-alvo 2.º ciclo, 3.º ciclo, Secundário, Universidade, Professores, Pais

Áreas Cidadania, Ecologia, Estudo do Meio, Ciências Naturais

Assunto
Através deste documentário somos introduzidos à problemática da imensa quantidade de plástico existente actualmente nos oceanos e mares do planeta. Percebemos o que está na origem do problema, quais as consequências para a vida no mar e também as consequências que daí resultam para o ser humano. Finalmente, são-nos apresentadas algumas soluções viáveis e, principalmente, quais as alterações necessárias, do nosso comportamento, para reduzir o consumo de plástico

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Testemunhos

Foi óptimo! Talvez um pouco complexo demais para o 2.º ciclo, mas mesmo assim, bom. Para o 3.º ciclo foi excelente. Tive alunos a chorar (e outros a dormir, mas faz parte). Tive mais de 400 alunos a ver o filme. Se dez por cento que seja mudar comportamentos, já será muito bom.

Nuno Magalhães – Agrupamento João da Rosa, Olhão
24 de Outubro 2019