Em 1872, Eça de Queiroz é nomeado Cônsul em Havana por
um novo governo português de carácter mais liberal e parte
com o objetivo de enfrentar as autoridades locais em defesa
dos trabalhadores chineses que são atraídos para plantações
de cana de açúcar, mas acabam explorados e escravizados.
“O Nosso Cônsul em Havana” é uma ficção que se inspira
livremente no período em que Eça de Queiroz foi Cônsul de
Portugal nas Antilhas espanholas. Seguimos a história de Lô, uma
menina chinesa que embarca clandestinamente para Cuba e
que é ajudada por um marinheiro de bom coração, Castellano,
que a entrega às freiras do Convento de Santa Clara.
Para ajudarem Lô a escapar das garras do grande escravocrata
da Ilha, Don Zulueta, vão convergir pessoas de bem e
defensoras da liberdade: o jornalista e livre-pensador Vicente
Torradellas; D. Antónia Morales, proprietária de terras; a
Madre Filomena; o próprio Eça de Queiroz e o seu amigo
Juan, um rapazito engraxador cheio de manhas e artimanhas
necessárias à sobrevivência numa cidade como Havana.
Durante o tempo em que aí está, Eça não deixa por
mãos alheias os seus méritos de sedutor e vive um amor
escaldante com Mollie, filha do General americano Robert
Bidwell (que viremos a descobrir ser traficante de armas),
uma jovem moderna e apaixonada que se sente tão à
vontade à mesa do póquer como no jogo da sedução.
ELMANO SANCHO
MAFALDA BANQUART . RODRIGO SANTOS . JORGE
PINTO LUÍSA CRUZ . PEDRO FRIAS . ANTÓNIO CAPELO
JOANA CARVALHO . JOAQUIM NICOLAU . JOÃO LAGARTO
IVO ARROJA . ZIRUI CAO . JÚLIO MARTIN . JOSÉ EDUARDO
ANTÓNIO NEIVA . BRUNO SCHIAPPA . MANUEL ESTEVÃO
PAULO FREIXINHO . ADRIANO REIS . FÁTIMA REIS
guião ANTÓNIO TORRADO
com a colaboração de JOSÉ FANHA
produtor FRANCISCO MANSO
directora de produção CRISTINA MASCARENHAS
produtor executivo – Cuba INTI HERRERA
director de fotografia JOSÉ ANTÓNIO LOUREIRO
director de som VASCO PEDROSO
directora de arte CARLA ROSÁRIO
figurinista LOLA SOUSA
coordenador de pós-produção MIGUEL CARDOSO FARIA
montagem MIGUEL CARDOSO FARIA . JOSÉ DIOGO FERREIRA
colorista ANDREIA BERTINI
música original LUÍS CÍLIA
montagem e misturas de som MARTIM CRAWFORD
efeitos visuais PUSH VFX
estúdio de pós-produção WALLA Collective
realizador FRANCISCO MANSO
distribuição PROJECTOS PARALELOS, ZERO EM COMPORTAMENTO
Ficção biográfica, Portugal, 2019, 110 minutos
Francisco Manso
Realizador e Produtor
Francisco Manuel Manso Gonçalves de Faria nasceu em Lisboa
a 28 de Novembro de 1949. Frequentou a Faculdade de Direito
de Lisboa. Tem o Curso de Cinema e Audiovisuais do AR.CO
e o Curso de Áudio e de Assistentes de Realização da RTP.
É membro da Academia Portuguesa de Cinema.
Realizou 8 filmes de longa-metragem, tendo produzido 2 deles,
5 séries e filmes para televisão e mais de 120 documentários.
Entre eles, destaca-se as produções “O Cônsul de Bordeús”
(2010) e “O Testamento do Senhor Napumoceno” (1997).
Em 16 de Março de 1872, José Maria Eça de Queiroz iniciava a sua carreira diplomática, tendo sido nomeado Cônsul de 1ª Classe nas Antilhas Espanholas, hoje Cuba. Segundo José Calvet de Magalhães, diplomata, historiador, tradutor e ensaísta português, as palavras explicitadas no decreto da sua nomeação tinham subjacente uma “reparação intencional da injustiça” de que Eça havia sido alvo por lhe ter sido vedado o acesso àquele cargo nos primeiros anos.
Naquela época, a política de Portugal vivia avanços sociais que fundamentaram a escolha de Eça para o cargo – a abolição da escravatura em 1869, a queda do Governo que proibira as Conferências Democráticas do Casino, no qual Eça esteve presente durante a 4ª conferência em 1871, e a futura fundação do Partido Socialista Português, com o nome de Partido Operário Socialista em 1875.
A sua actividade em Havana seria, contudo, breve e marcada por uma série de controvérsias. Desde o começo que a sua nomeação para aquele não fora bem recebida, sobretudo pelos fazendeiros de Cuba que utilizavam mão-de-obra escrava chinesa, vinda do porto português de Macau, fenómeno ao qual o Cônsul português se viria a opor veementemente. Após três longos meses de espera em Cádis, Eça de Queiroz chegaria a Havana a 20 de Dezembro daquele ano. Durante a sua estadia na colónia espanhola, podemos identificar duas conjunturas com as quais teve de lidar. A primeira, a já referida situação de esclavagismo a que estavam submetidos os imigrantes chineses e cujo estatuto de protecção estava ao abrigo do Consulado de Portugal.
Esta situação exigiu a intervenção diplomática de Eça de Queiroz, cujas intenções viriam a tornar-se controversas para alguns dos seus biógrafos: se por um lado, o consideram um acérrimo defensor dos direitos dos chineses, por outro há quem denote alguma ambiguidade nas suas posições e convicções relacionada com os benefícios e emolumentos que a situação poderia propiciar para o Consulado de Portugal. Porém, ao contrário dos restantes países, que se colocaram à margem do problema (caso da Inglaterra, que se limitou a impedir a saída dos chineses pelo porto de Hong-Kong), o governo português, honra lhe seja prestada, reconheceu os chineses como cidadãos de pleno direito, em igualdade com os restantes emigrantes, provenientes de outras paragens.
A verdade é que, segundo José Calvet de Magalhães, da sua intervenção resultou precisamente a regularização da situação de alguns chineses. Por outro lado, ao chegar a Havana, Eça deparou-se com o impasse da “Guerra dos Dez anos” na tentativa de autonomização da ocupação espanhola em Havana, fenómeno que se abstêm constantemente de referir na sua correspondência.
Além da carreira diplomática, Eça de Queiroz é considerado um dos mais importantes escritores portugueses da história. Grandes romances como “Os Maias” e “O Crime do Padre Amaro” marcaram o seu trabalho e integram suas 26 obras publicadas – 11 publicadas em vida e 15 póstumas:
• O Mistério da Estrada de Sintra (1870)
• O Crime do Padre Amaro (1875)
• A Tragédia da Rua das Flores (1877-78)
• O Primo Basílio (1878)
• O Mandarim (1880)
• A Relíquia (1887)
• Os Maias (1888)
• Uma Campanha Alegre (1890-91)
• Correspondência de Fradique Mendes (1900)
• Dicionário de milagres (1900)
• A Ilustre Casa de Ramires (1900)
• A Cidade e as Serras (1901, póstumo)
• Contos (1902, póstumo)
• Prosas Bárbaras (1903, póstumo)
• Cartas de Inglaterra (1905, póstumo)
• Ecos de Paris (1905, póstumo)
• Cartas familiares e bilhetes de Paris (1907, póstumo)
• Notas contemporâneas (1909, póstumo)
• Últimas páginas (1912, póstumo)
• A Capital (1925, póstumo)
• O Conde de Abranhos (1925, póstumo)
• Alves & Companhia (1925, póstumo)
• Correspondência (1925, póstumo)
• O Egito (1926, póstumo)
• Cartas inéditas de Fradique Mendes (1929, póstumo)
• Eça de Queirós entre os seus – Cartas íntimas (1949, póstumo).
Eça notabilizou-se pela originalidade e riqueza do seu estilo e linguagem, o realismo descritivo; e pela crítica social constantes nos seus romances. O termo “acaciano” para definir alguém com um discurso vazio, enfeitado, pomposo, mas sem conteúdo, presente na Língua portuguesa; é uma alusão ao personagem Conselheiro Acácio, do romance “O Primo Basílio”.