O Nosso Cônsul em Havana

Francisco Manso, Ficção , Portugal, 2019, 110'
Sinopse

Em 1872, Eça de Queiroz é nomeado Cônsul em Havana por
um novo governo português de carácter mais liberal e parte
com o objetivo de enfrentar as autoridades locais em defesa
dos trabalhadores chineses que são atraídos para plantações
de cana de açúcar, mas acabam explorados e escravizados.

“O Nosso Cônsul em Havana” é uma ficção que se inspira
livremente no período em que Eça de Queiroz foi Cônsul de
Portugal nas Antilhas espanholas. Seguimos a história de Lô, uma
menina chinesa que embarca clandestinamente para Cuba e
que é ajudada por um marinheiro de bom coração, Castellano,
que a entrega às freiras do Convento de Santa Clara.
Para ajudarem Lô a escapar das garras do grande escravocrata
da Ilha, Don Zulueta, vão convergir pessoas de bem e
defensoras da liberdade: o jornalista e livre-pensador Vicente
Torradellas; D. Antónia Morales, proprietária de terras; a
Madre Filomena; o próprio Eça de Queiroz e o seu amigo
Juan, um rapazito engraxador cheio de manhas e artimanhas
necessárias à sobrevivência numa cidade como Havana.
Durante o tempo em que aí está, Eça não deixa por
mãos alheias os seus méritos de sedutor e vive um amor
escaldante com Mollie, filha do General americano Robert
Bidwell (que viremos a descobrir ser traficante de armas),
uma jovem moderna e apaixonada que se sente tão à
vontade à mesa do póquer como no jogo da sedução.

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Ficha Técnica

ELMANO SANCHO
MAFALDA BANQUART . RODRIGO SANTOS . JORGE
PINTO LUÍSA CRUZ . PEDRO FRIAS . ANTÓNIO CAPELO
JOANA CARVALHO . JOAQUIM NICOLAU . JOÃO LAGARTO
IVO ARROJA . ZIRUI CAO . JÚLIO MARTIN . JOSÉ EDUARDO
ANTÓNIO NEIVA . BRUNO SCHIAPPA . MANUEL ESTEVÃO
PAULO FREIXINHO . ADRIANO REIS . FÁTIMA REIS

guião ANTÓNIO TORRADO
com a colaboração de JOSÉ FANHA
produtor FRANCISCO MANSO
directora de produção CRISTINA MASCARENHAS
produtor executivo – Cuba INTI HERRERA
director de fotografia JOSÉ ANTÓNIO LOUREIRO
director de som VASCO PEDROSO
directora de arte CARLA ROSÁRIO
figurinista LOLA SOUSA
coordenador de pós-produção MIGUEL CARDOSO FARIA
montagem MIGUEL CARDOSO FARIA . JOSÉ DIOGO FERREIRA
colorista ANDREIA BERTINI
música original LUÍS CÍLIA
montagem e misturas de som MARTIM CRAWFORD
efeitos visuais PUSH VFX
estúdio de pós-produção WALLA Collective
realizador FRANCISCO MANSO
distribuição PROJECTOS PARALELOS, ZERO EM COMPORTAMENTO

Ficção biográfica, Portugal, 2019, 110 minutos

Francisco Manso
Realizador e Produtor
Francisco Manuel Manso Gonçalves de Faria nasceu em Lisboa
a 28 de Novembro de 1949. Frequentou a Faculdade de Direito
de Lisboa. Tem o Curso de Cinema e Audiovisuais do AR.CO
e o Curso de Áudio e de Assistentes de Realização da RTP.
É membro da Academia Portuguesa de Cinema.
Realizou 8 filmes de longa-metragem, tendo produzido 2 deles,
5 séries e filmes para televisão e mais de 120 documentários.
Entre eles, destaca-se as produções “O Cônsul de Bordeús”
(2010) e “O Testamento do Senhor Napumoceno” (1997).

Os Desafios Geopolíticos

Em 16 de Março de 1872, José Maria Eça de Queiroz iniciava a sua carreira diplomática, tendo sido nomeado Cônsul de 1ª Classe nas Antilhas Espanholas, hoje Cuba. Segundo José Calvet de Magalhães, diplomata, historiador, tradutor e ensaísta português, as palavras explicitadas no decreto da sua nomeação tinham subjacente uma “reparação intencional da injustiça” de que Eça havia sido alvo por lhe ter sido vedado o acesso àquele cargo nos primeiros anos.
Naquela época, a política de Portugal vivia avanços sociais que fundamentaram a escolha de Eça para o cargo – a abolição da escravatura em 1869, a queda do Governo que proibira as Conferências Democráticas do Casino, no qual Eça esteve presente durante a 4ª conferência em 1871, e a futura fundação do Partido Socialista Português, com o nome de Partido Operário Socialista em 1875.
A sua actividade em Havana seria, contudo, breve e marcada por uma série de controvérsias. Desde o começo que a sua nomeação para aquele não fora bem recebida, sobretudo pelos fazendeiros de Cuba que utilizavam mão-de-obra escrava chinesa, vinda do porto português de Macau, fenómeno ao qual o Cônsul português se viria a opor veementemente. Após três longos meses de espera em Cádis, Eça de Queiroz chegaria a Havana a 20 de Dezembro daquele ano. Durante a sua estadia na colónia espanhola, podemos identificar duas conjunturas com as quais teve de lidar. A primeira, a já referida situação de esclavagismo a que estavam submetidos os imigrantes chineses e cujo estatuto de protecção estava ao abrigo do Consulado de Portugal.
Esta situação exigiu a intervenção diplomática de Eça de Queiroz, cujas intenções viriam a tornar-se controversas para alguns dos seus biógrafos: se por um lado, o consideram um acérrimo defensor dos direitos dos chineses, por outro há quem denote alguma ambiguidade nas suas posições e convicções relacionada com os benefícios e emolumentos que a situação poderia propiciar para o Consulado de Portugal. Porém, ao contrário dos restantes países, que se colocaram à margem do problema (caso da Inglaterra, que se limitou a impedir a saída dos chineses pelo porto de Hong-Kong), o governo português, honra lhe seja prestada, reconheceu os chineses como cidadãos de pleno direito, em igualdade com os restantes emigrantes, provenientes de outras paragens.
A verdade é que, segundo José Calvet de Magalhães, da sua intervenção resultou precisamente a regularização da situação de alguns chineses. Por outro lado, ao chegar a Havana, Eça deparou-se com o impasse da “Guerra dos Dez anos” na tentativa de autonomização da ocupação espanhola em Havana, fenómeno que se abstêm constantemente de referir na sua correspondência.

O Escritor

Além da carreira diplomática, Eça de Queiroz é considerado um dos mais importantes escritores portugueses da história. Grandes romances como “Os Maias” e “O Crime do Padre Amaro” marcaram o seu trabalho e integram suas 26 obras publicadas – 11 publicadas em vida e 15 póstumas:

• O Mistério da Estrada de Sintra (1870)
• O Crime do Padre Amaro (1875)
• A Tragédia da Rua das Flores (1877-78)
• O Primo Basílio (1878)
• O Mandarim (1880)
• A Relíquia (1887)
• Os Maias (1888)
• Uma Campanha Alegre (1890-91)
• Correspondência de Fradique Mendes (1900)
• Dicionário de milagres (1900)
• A Ilustre Casa de Ramires (1900)
• A Cidade e as Serras (1901, póstumo)
• Contos (1902, póstumo)
• Prosas Bárbaras (1903, póstumo)
• Cartas de Inglaterra (1905, póstumo)
• Ecos de Paris (1905, póstumo)
• Cartas familiares e bilhetes de Paris (1907, póstumo)
• Notas contemporâneas (1909, póstumo)
• Últimas páginas (1912, póstumo)
• A Capital (1925, póstumo)
• O Conde de Abranhos (1925, póstumo)
• Alves & Companhia (1925, póstumo)
• Correspondência (1925, póstumo)
• O Egito (1926, póstumo)
• Cartas inéditas de Fradique Mendes (1929, póstumo)
• Eça de Queirós entre os seus – Cartas íntimas (1949, póstumo).

Eça notabilizou-se pela originalidade e riqueza do seu estilo e linguagem, o realismo descritivo; e pela crítica social constantes nos seus romances. O termo “acaciano” para definir alguém com um discurso vazio, enfeitado, pomposo, mas sem conteúdo, presente na Língua portuguesa; é uma alusão ao personagem Conselheiro Acácio, do romance “O Primo Basílio”.