17 Raparigas

Delphine Coulin, Muriel Coulin, Ficção, França, 2011, 90’
Sinopse

Camille tem 16 anos e é muito popular na escola. Um dia, depois de passar a noite com um rapaz, descobre que está grávida e decide partilhar o seu segredo com as colegas e amigas. Com a sua influência e personalidade cativante, Camille vai convencer as outras raparigas na escola que estar à espera de um filho é muito mais fixe do que ter muitos amigos no Facebook. Apesar de não sentirem grandes ciúmes ou curiosidade por aquilo que se está a passar com Camille, as outras raparigas sentem-se pressionadas e decidem seguir o seu exemplo, e não vai ser difícil encontrar cúmplices involuntários entre os seus colegas rapazes para conseguirem levar o plano adiante. Esta história baseia-se num incidente real que ocorreu nos Estados Unidos onde um grupo de adolescentes fez um “pacto de gravidez”.

Trailer

Tema Adolescência

Público-alvo Secundário

Áreas Filosofia, Formação Cívica, Psicologia Familiar, Educação Moral e Religiosa

Assunto
Neste filme aborda-se várias questões cruciais para qualquer rapariga. Por um lado, o poder tomar decisões sobre o seu corpo. Ela pode tomar decisões sozinha? Mas também existe um conflito geracional com os pais. E finalmente, as dinâmicas de grupo.

Baseado em factos verídicos

Inspirado num caso verídico, que aconteceu nos Estados Unidos em 2008, o filme “17 Raparigas” transfere para Lorient, na Bretanha, França, uma história verdadeiramente inacreditável.
Numa mesma escola, 17 adolescentes engravidam ao mesmo tempo. Não se trata de um acidente ou de uma coincidência, mas sim de uma decisão deliberada. Mas porque decidem estas 17 jovens avançar com tal acção?
Poderão as suas vidas, insatisfatórias e marcadas pelo tédio e pelo dever de obediência, alterar-se totalmente com a experiência da maternidade?
E o que têm a dizer os pais e os professores perante esta “epidemia”? O que poderão eles fazer?
São estas as questões que as realizadoras (duas irmãs) tentam responder e para as quais formulam hipóteses assaz convincentes, conseguindo simultaneamente traçar um perturbante retrato da adolescência.
Adoptando o ponto de vista das jovens, as realizadoras evitam lições de moral, mas desenvolvem um discurso cheio de nuances e de subtilezas onde podemos encontrar o seu próprio olhar sobre este estranho caso: a concretização de uma fantasia não permite sempre saciar um desejo.

PRÉMIOS E NOMEAÇÕES

Nomeado para o César de Melhor Primeiro Filme 2011
Seleccionado para a Semana da Crítica do Festival de Cannes 2011
Prémio Michel d’Ornano (Melhor Primeiro Filme Francês) do Festival de Cinema de Deauville 2011;
Prémio Especial do Júri no Festival de Cinema de Turim;
Prémio de Melhor Filme, pelo júri de Estudantes do Festival de Cinema de Bratislava.

Downloads

Imagens
Cartaz
Press kit

Imprensa
Curto Circuito, Sic Radical
Visão

https://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2018-05-15-Qual-a-melhor-altura-para-falar-de-sexo-com-os-filhos

Artes e Contextos

https://artesecontextos.com/2018/05/17-raparigas/

Time Out, 16 de maio

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Visão, 17 de maio

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TSF

https://www.tsf.pt/programa/tsf-pais-e-filhos/emissao/17-raparigas-9335499.html

Expresso, 19 de maio

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Agora Nós, RTP 1
Cinemax, Antena 1
O Elenco

Louise Grinberg, que interpreta o papel de Camille, estreou-se no cinema em 2008 com “A Turma”, de Laurent Cantet, filme que ganhou diversos prémios nesse ano, entre os quais a Palma de Ouro do Festival de Cannes;

Roxane Duran, Florence neste filme, estreou-se no cinema em 2009, com “O Laço Branco”, de Michael Haneke, que ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes desse ano, além de múltiplos outros prémios. Também teve papéis em “A Família Bélier”, “Respira”, “O Monge”, “Augustine”, “A Vingança de Michael Kohlhaas” e “Evolução”, todos estreados em Portugal.

Esther Garrel, que interpreta o papel de Flavie, é o membro mais novo de uma família ligada há muito ao cinema, uma vez que é neta do actor Maurice Garrel, filha do realizador Philippe Garrel e da actriz e realizadora Brigitte Sy e irmã do actor Louis Garrel. Ela entrou recentemente nos filmes de Luca Guadagnino “Chama-me Pelo Teu Nome”, nomeado aos Óscares deste ano, e do seu pai “O Amante de Um Dia”, que esteve na mais recente edição do Festival de Cinema de Cannes. Entrou ainda em “Ciúme”, “A Segunda Vida de Camille” e “Apollonide – Memórias de Um Bordel”, todos estreados em Portugal.

Noémie Lvovsky, que interpreta o papel da enfermeira da escola, será o rosto mais familiar neste filme de estreantes. Ela é uma actriz e realizadora já com uma longa carreira no cinema, tendo participado em filmes como “A Partir de Uma História Verdadeira”, “Chocolate”, “Uma Senhora Herança”, “Adeus”, “Minha Rainha”, “O Verão do Skylab”, “Apollonide – Memórias de Um Bordel”, “Reis e Rainha” e “A Minha Mulher é Actriz”, todos estreados em Portugal.

Equipa

com Louise Grinberg, Juliette Darche, Roxane Duran, Esther Garrel, Yara Pilartz, Soléne Rigot, Noémie Lvovsky, Florence Thomassin, Carlo Brandt
argumento Delphine Coulin, Muriel Coulin
fotografia Jean-Louis Vialard
som Olivier Mauvezin
montagem Guy Lecorne
mistura de som Jean-Pierre Laforce
anotação Elodie Van Beuren
cenografia Benoît Pfauvadel
figurinos Dorothée Guiraud
assistentes de realização Guillaume Huin, Lucas Loubaresse
produção executiva André Bouvard
produção Denis Freyd
realização Delphine Coulin, Muriel Coulin
uma coprodução Archipel 35 e ARTE France Cinéma com a participação de CANAL+ de CINÉ+ e de ARTE France com o apoio do Centre National du Cinéma e de L’Image Animée da Région Bretagn e em parceria com o CNC em associação com Banque Populaire Images 11, Cinémage 5, Palatine Etoile 8 e Soficinéma 7 desenvolvido com o apoio do Programa MEDIA da União Europeia e de Sofica Cofinova
vendas internacionais Films Distribution
distribuição Projectos Paralelos, Zero em Comportamento

A MATERNIDADE NA ADOLESCÊNCIA EM PORTUGAL

1. De acordo com os dados do INE, a situação está a melhorar significativamente, embora em 2015 ainda tenha havido 2.295 nascimentos de mães com idades entre os 11 e os 19 anos, o que dá uma média de seis nascimentos por dia. Em 1980, haviam ocorrido quase 18.000 nascimentos;

2. Ainda de acordo com o INE, em 2011 houve 2.274 Interrupções Voluntárias da Gravidez (IVG) de jovens entre os 15 e os 19 anos (11,1% do total em todas as mulheres). Em 2015, as IVG nestas idades baixaram para os 1.708 (10,38%).

3. Dados do estudo Health Behaviour in School-Aged Children revelam que o número de adolescentes de 15 anos que já teve relações sexuais é cada vez menor – passou de 18,2% para 16,1% entre 2006 e 2014 -, mas que os adolescentes sexualmente activos usam menos o preservativo – 25% não usou, em 2014, quando em 2010, só 10% dizia não o fazer.

Para Duarte Vilar, director executivo da Associação para o Planeamento da Família, é preciso considerar que “Portugal tem hoje menos adolescentes do que tinha” por isso, é natural que tenha havido também uma diminuição da maternidade na adolescência. Mas é preciso também não esquecer que “o acesso à informação é mais fácil e existe uma generalização da educação para a saúde nas escolas”, além de que, com os “anos de crise, houve uma preocupação em não engravidar. Os adolescentes acabam por se informar mais”.

Ainda há muitas situações em que “a maternidade na adolescência gera pobreza e abandono, até porque muitas jovens já são originárias de famílias carenciadas e vulneráveis”. A psicóloga Elsa Mota diz: “Só em determinados meios é que uma gravidez aos 16 anos é bem enquadrada, a maioria dos pais não aceita. É mais um bebé para eles.”

Segundo Margarida Gaspar de Matos, a socióloga coordenadora nacional do estudo Health Behaviour in School-Aged Children, “o uso do preservativo baixou, o que faz aumentar o risco de infecções sexualmente transmissíveis, apesar disso não se notar no número de gravidezes na adolescência porque aumentou o uso de outros meios de contracepção como a pílula, disponibilizada nas consultas de planeamento nos centros de saúde.

Uma gravidez precoce tem riscos biológicos e um impacto social mais alargado. “Os jovens “saltam passos” numa trajectória de desenvolvimento pessoal e social, com prejuízo da sua escolarização, do seu convívio entre pares e da vivência da sua própria adolescência”, alerta a socióloga.

O PAPEL DA ESCOLA

 
Para Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos de Escolas Públicas, “as escolas estão muito sensibilizadas para fazer com que a gravidez na adolescência diminua”, tanto pela acção de “psicólogos, como nas aulas de educação para a cidadania, onde professores, médicos e enfermeiros fazem um trabalho notável”. Além disso, “os pais também têm hoje um diálogo mais aberto e franco sobre esta temática com os filhos”. Mas seria importante que “os professores das diferentes disciplinas tivessem formação” para abordar os mesmos assuntos nas aulas.

FALAR DE SEXO – QUANDO?

 
Um dos principais desafios que se enfrenta enquanto pai é falar de sexo com os filhos. Não é um assunto fácil e muitos ficam constrangidos e atrapalham-se. Evitam responder directamente aos mais novos, o que ainda lhes desperta mais a curiosidade. Como abordar o tema? Qual a melhor altura para o fazer? O que dizer?
Renato Paiva, director da Clínica de Educação, defende que se deve começar a falar de sexualidade desde cedo. “Os pais devem mostrar-se abertos para a conversa e desde os 4/5 anos ir ao encontro da curiosidade de onde vêm os bebés. Aos 10/11 anos já podemos começar a falar sobre doenças sexualmente transmissíveis e contracepção”, sugere o consultor pedagógico, destacando que o facto de que ficar constrangido não deve ser desculpa para não se falar do assunto.
“Os adolescentes falam de sexo entre si, mas trocam muita informação errada, sobretudo no que toca à saúde e à contracepção. Importa que sejam figuras de referência a abordar o assunto.”
Mas não há um dia certo para o fazer. Nem existe “a grande, única e definitiva conversa” sobre sexo. O assunto deve ser abordado de forma natural. “O sexo é algo natural e também deve ser honesto! Mas é necessário que os pais o façam desde a infância. O desenvolvimento sexual dos nossos filhos é tão natural como o desenvolvimento motor, cognitivo, etc. As conversas sobre sexualidade devem ser frequentes e descontraídas. Porque será que a maior parte dos pais nunca fala sobre o assunto?!”
Já Cristina Valente, autora de “O Que se Passa na Cabeça do meu Adolescente?” refere que estes precisam de saber que “a sexualidade é saudável e bem-vinda, mas que traz também responsabilidades nas tomadas de decisões”. Ou seja, que “o facto de terem impulsos sexuais não significa que estão crescidos e que não precisam de atenções e cuidados”.

Os dados e citações foram retirados, com a devida autorização, dos seguintes artigos publicados no Diário de Notícias:
www.dn.pt/sociedade/interior/liberdade-e-bom-senso-e-o-lema-para-deixar-os-filhos-sair-a-noite-5630716.html
www.dn.pt/sociedade/interior/falar-de-sexo-sim-e-quanto-mais-cedo-melhor-8910903.html
www.dn.pt/sociedade/interior/maes-antes-do-tempo-seis-adolescentes-dao-a-luz-todos-os-dias-em-portugal-5706775.html