A Noite de Alaíde

Liliane Mutti, Brasil, animação, documentário, 2026, 100 min.
Sinopse

Alaíde Costa, uma garota simples do subúrbio carioca, chega às rodas da zona sul do Rio de Janeiro dos anos 60. Ali, conquista os holofotes, figurando ao lado de João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e se torna a cantora, pianista, compositora e parceira desses que são tidos como a tríade de ouro da Bossa Nova. Mas, no auge da carreira, como a voz feminina negra e essencial do movimento, Alaíde é sumariamente ignorada pelas gravadoras. Junto com Johnny Alf, outro pioneiro negro da Bossa Nova, ela é vetada da lendária apresentação no Carnegie Hall, em Nova York. Agora, do alto dos seus 90 anos, Alaíde vai atravessar a América em busca do palco que é seu por direito.

Bilhetes

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NOTA DE INTENÇÕES

Alaíde contou que, certa vez, sem ter com quem deixar os filhos, levou os meninos ainda pequenos para uma casa noturna onde se apresentava. A meio do espectáculo, o marido chegou e levou as crianças, que, a partir daí, foram criadas por outra família.

Estamos perante um drama feminino e racial: a maternidade roubada de uma mulher negra por ser artista. Esta história é vivida por quatro atrizes, em fases diferentes da vida da cantora Alaíde Costa.

A narrativa é conduzida pela voz da Alaíde “real”, mas também pelas suas músicas — muitas das quais ela própria compôs, além de interpretar — e por cenas animadas da infância e da carreira. A animação foi a forma que encontrámos para contar a história desta mulher negra que aparece apagada dos arquivos.

Com este filme, procuro olhar para a nossa Cesária Évora sob uma perspectiva de reparação histórica: situar Alaíde no seu papel fundador na Música Popular Brasileira.

No filme, sigo as pistas da Bossa Nova que Alaíde, ao lado de Johnny Alf, levou do Rio de Janeiro para São Paulo. Flutuando por tantas entrelinhas, tento descobrir: Quem é Alaíde? Quem são as Alaídes?

A nossa heroína desafia, por fim, o último tabu imposto ao feminino: o idadismo. No palco, de pé, aos 90 anos, vemos Alaíde ainda hoje a ocupar lugares onde não estava “autorizada”. Sim, a sua existência é a sua resistência.

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Cartaz
Dossier de Imprensa

Imprensa

RFI
Música em letras

Festivais

Aniversário de 50 anos da FUNARTE – Rio de Janeiro – Sessão para convidados
In-Edit Brasil 2026 (Sessão Especial, première nacional);
Festival de Cinema Brasileiro de Paris 2026 – Sessão Especial de Encerramento;
Feira Preta, Rio de Janeiro 2026 (Pré-estreia brasileira);
Marché de Cannes 2026 – Showcase VDR-Connection;
MIFA – Festival de Annecy 2026;
Mimo Portugal 2026 – Sessão de Encerramento ao Ar-livre

ALAÍDE COSTA

Nascida em Água Santa, bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, Alaíde Costa revelou-se cantora ainda adolescente, apresentando-se em programas de calouros na Rádio Tupi. O seu primeiro álbum foi lançado dois anos antes de Chega de Saudade (1958), a música que marca o nascimento da Bossa Nova, movimento do qual foi a única voz feminina negra, ao lado de figuras como João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Johnny Alf e Milton Nascimento. Apesar da centralidade da sua contribuição artística, foi sistematicamente ignorada pelas editoras discográficas e, a par de Johnny Alf — outro pioneiro negro do género —, foi vetada da histórica apresentação da Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova Iorque, em 1962.

Com mais de 20 discos gravados ao longo de sete décadas de carreira, Alaíde Costa nunca deixou de cantar nem de gravar, travessando todos os formatos de distribuição musical, do 78 RPM ao streaming. Nos últimos anos, parcerias com nomes como Emicida, Pupillo e Marcus Preto renovaram o seu reconhecimento: o álbum O que os meus calos dizem sobre mim (2022) foi eleito o melhor lançamento fonográfico de MPB no 30.º Prémio da Música Brasileira. Em outubro de 2023 atuou no Carnegie Hall, no espetáculo The Greatest Night Bossa Nova, recebendo uma ovação de mais de cinco minutos. Em maio desse mesmo ano apresentou-se em Portugal com a Orquestra de Jazz do Algarve. Em 2020 foi a artista mais velha a receber o Troféu Kikito de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Gramado.

Liliane Mutti

Liliane Mutti é realizadora e argumentista, vive entre o Brasil e a França e construiu uma filmografia feminista marcada pelo diálogo entre música, memória e experimentação visual. O seu primeiro longa-metragem, Miúcha, a Voz da Bossa Nova — que incorpora aguarelas da cantora em linguagem de animação —, foi exibido em 47 países e integra canais como ARTE, Canal+, GloboPlay, Curta! e TAP Portugal, tendo recebido prémios no Festival des Amériques da Sorbonne, no IndieLisboa e no In-Edit México. Dirigiu também Salut, mes ami.e.s!, documentário sobre uma escola franco-brasileira inspirado em High School (1968) de Frederick Wiseman, realizador com quem fez residência artística em Paris, e Madeleine à Paris, road movie afro-queer selecionado em festivais em França, EUA e Brasil. Em 2023 recebeu o prémio de arte numérica da Câmara de Paris para o desenvolvimento da animação Babou, e em 2025 integrou o júri do Festival Animaí. A Noite de Alaíde é o seu primeiro longa-metragem de ficção animada.

Elenco

TEKA ROMUALDO – Alaíde adulta
BÁRBARA MARIA – Alaíde jovem
THAYLA VALADÃO – Alaíde criança maior
OLIVIA TERRA – Alaíde criança menor
ANGELA RIBEIRO – Dona França
CAIO NOGALI – Mario Lima, marido / Empresário
CAVERNA – Dono da gravadora
DANIEL AURELIANO – Empresário
EDU ROSA – Pianista do circo e no programa do Ary Barroso
ERIKA VITÓRIA – Vizinha 1
ERON GUARNIERI – José Maria de Abreu
FABIO RODRIGUES BABU – Apresentador do circo
FERNANDO VICENTE – Hermínio, pai / Adilson adulto / Calouro do circo
GIULIANA MARIA – Patroa / Vizinha
JANE FERNANDES – Mãe das vizinhas / Camareira do Copacabana Palace
JUNO SOUZA – Vinicius de Moraes
LEONEL COSTA – Johnny Alf
LARISSA PEREIRA DA SILVA – Vizinha 2
LILITH CRISTINA – Elza Soares
LUCAS FRIZO – João Gilberto
LUI VIZOTTO – Tom Jobim
MALCOM ALEIXO – Adilson, irmão criança e filho de Alaíde
MÔNICA AUGUSTO – Dona Manuela, mãe
RENNAN GODOY – Hermínio, irmão menor (um “D” apenas!) e filho de Alaíde
ROBERTO REZENDE – Assistente do empresário
SIDNEY SANTIAGO – Moacir Santos
VICTOR NÓVOA – Médico
VITOR PLACCA – Ary Barroso
VINICIUS MELONI – Técnico do Odeon
WES ROCHA – Palhaço / Baden Powell / Aluísio de Oliveira