Pulp – Um filme sobre a vida, a morte e supermercados…

Pulp: A Film About Life, Death and Supermarkets
Florian Habicht, Reino Unido, documentário, 2014, 90 min.
Sinopse

Um filme sobre vida, morte e supermercados…

Sheffield, 1988, «O Dia que Nunca Aconteceu». Após um desastroso concerto de despedida na sua cidade natal, os PULP mudam-se para Londres em busca do sucesso. Encontram a fama no palco mundial nos anos 90 com hinos como «Common People» e «Disco 2000». 25 anos (e 10 milhões de álbuns vendidos) depois, regressam a Sheffield para o seu último concerto no Reino Unido: o que poderá correr mal?

Numa interpretação que é a melhor da sua carreira, exclusiva para o filme, a banda partilha os seus pensamentos sobre fama, amor, mortalidade — e manutenção automóvel.

O realizador Florian Habicht (Love Story) entrelaça as confissões pessoais da banda com quadros cénicos oníricos especialmente concebidos, protagonizados por pessoas comuns recrutadas nas ruas de Sheffield.

Revelando a profunda afeição que os habitantes de Sheffield sentem pelos PULP, e o efeito formativo que a cidade teve na música da banda (e em particular nas letras do vocalista Jarvis Cocker), PULP é um filme musical como nenhum outro — por vezes divertido, comovente, uma celebração da vida e (ocasionalmente) desconcertante.

NOTA DE INTENÇÕES

Quando o meu filme Love Story foi convidado a exibir-se no Festival de Cinema de Londres em 2012, o meu primeiro pensamento foi: quem poderia eu convidar? Pensei em todas as pessoas do Reino Unido que me tinham inspirado e, por impulso, comecei a escrever o seguinte email:

Olá Jarvis,

Espero que estejas bem. Sou um cineasta nascido em Berlim, radicado na Nova Zelândia. O meu filme mais recente, Love Story, vai estar em exibição no próximo Festival de Cinema de Londres. Gosto muito do teu trabalho e tenho uma ideia para fazer um filme sobre ti.

Ele respondeu! Encontrámo-nos e tomámos chá no cinema Curzon, no Soho. Jarvis também tinha tido a ideia de fazer um filme, e ambas as nossas visões coincidiam: documentários centrados nas pessoas de Sheffield — a cidade natal da banda — em vez de se focarem apenas na própria banda. Os PULP iam tocar o concerto de despedida em Sheffield dali a seis semanas e, assim que se confirmou que o resto da banda estava disponível, de repente eu estava a filmar um filme depois de apenas duas chávenas de chá!

Cheguei de comboio para a minha primeira noite (solitária) em Sheffield. A minha impressão da cidade não tinha nada a ver com o que esperava das letras das canções dos PULP. Imaginava um lugar caloroso e sensual, onde as pessoas se agarravam dentro de armários. A verdadeira Sheffield era cinzenta e sombria. A banda estava em digressão na América do Sul, e a minha equipa de filmagem só chegaria alguns dias depois. Tudo o que eu tinha era o livro de Jarvis, Mother Brother Lover, onde ele tinha sublinhado nomes de lugares mencionados nas canções e acrescentado alguns comentários.

Nessa noite fiquei com uma intoxicação alimentar a meio de uma entrevista de rádio para a Austrália sobre o Love Story. Continuei a falar sobre fazer uma história de amor nas ruas de Nova Iorque, onde as pessoas reais da cidade se tornavam as estrelas. Foi aí que percebi que devia fazer algo semelhante, e tive a ideia de recrutar pessoas comuns das ruas de Sheffield e convidá-las a participar em cenas musicais para o filme. Tantas grandes bandas nasceram nesta cidade (Human League, Def Leppard, Arctic Monkeys, ABC…) e, sendo um grande fã de karaoke, achei que era uma boa forma de começar.

Senti-me melhor de manhã e descobri o Castle Markets, mesmo ao lado do meu hotel, que também estava referido no livro de letras de Jarvis, com uma nota escrita à mão: «vale a pena visitar». Apaixonei-me imediatamente pelo lugar. Para mim, era o supermercado de «Common People». O Castle Markets era também como recuar no tempo, entrar num conto de fadas (entretanto deixou de existir desde as filmagens). Apaixonei-me pelo Terry, o vendedor de jornais, e pela Josephine, que trabalhava numa loja de tecidos lá dentro. Estas personagens tinham de estar no filme.

A enorme e difícil tarefa de filmar o concerto na Sheffield Arena ocupou por completo algumas semanas, mas depois disso voltámos às ruas e desenvolvemos a ideia de entrelaçar os PULP, as suas ideias e a sua música com os habitantes da cidade que os formou. As canções dos PULP celebram as imperfeições do quotidiano. Canções sobre loiça, roupa interior e envelhecer. Encontrar beleza nos cantos esquecidos da vida. Quanto mais filmávamos, mais sentíamos que estávamos a descobrir alguns desses cantos esquecidos e a torná-los uma parte significativa do filme.

As pessoas de Sheffield são tão discretas e tão generosas, uma vez conquistada a sua confiança. Os PULP são como heróis populares para eles e, no entanto, os PULP são apenas versões exageradas de si próprios, descobri eu. Tocar o concerto de despedida em Sheffield foi algo muito importante para a banda — como diz a mãe de Jarvis no filme: «Esta é a gente dele». Foi mágico poder captar esse acontecimento e integrá-lo numa celebração estranha e maravilhosa dos «cantos esquecidos» que inspiraram tanto a banda como a mim próprio. Como Jarvis disse uma vez ao telefone: «A vida é um sonho. É importante não acordar».

Florian Habicht, fevereiro de 2014

Fotos
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Cartaz
Dossier de Imprensa

Imprensa

«Uma encantadora celebração da humanidade.»
Variety

«O processo de envelhecer emerge como o tema mais forte do filme.»
Variety

«As verdadeiras estrelas» de um documentário que foge às convenções do género.
Billboard

«Revela, de forma subtil, as raízes da sensibilidade que inspirou êxitos como “Common People” e “Help the Aged”.»
Billboard

«Os PULP sempre foram desafiadoramente diferentes.»
 The Guardian (Escolha da Crítica, 7 de junho de 2014)

«Um documentário espirituoso, caloroso e imaginativo sobre o concerto de despedida dos PULP na sua cidade natal.»
 The Hollywood Reporter (Stephen Dalton)

«Uma homenagem cinematográfica a uma banda única, a uma cidade orgulhosa e ao poder unificador da música pop.»
 The Hollywood Reporter (Stephen Dalton)
 

Ficha Técnica

Realização Florian Habicht
Produção Alex Boden
Direção de Fotografia Maria Ines Manchego
Montagem Peter O’Donoghue

Com
Jarvis Cocker
Nick Banks
Candida Doyle
Steve Mackey
Mark Webber

FLORIAN HABICHT

Florian Habicht nasceu em Berlim e emigrou com a família para a Nova Zelândia. Estudou cinema na Elam School of Fine Arts, em Auckland, e no Binger Filmlab, em Amesterdão.

Florian Habicht é responsável por alguns dos filmes mais originais e inovadores da Nova Zelândia. A sua longa-metragem de estreia, Woodenhead (2003), um conto de fadas musical de inspiração grimmiana, tornou-se um filme de culto na Nova Zelândia e foi distribuído nos Estados Unidos pela Olive Films.

Em 2012, quando a sua longa-metragem Love Story foi exibida no Festival de Cinema de Londres, Jarvis Cocker e os PULP convidaram-no a fazer um documentário/filme-concerto sobre o grupo.

Florian Habicht é filho do aclamado fotógrafo dos anos 60 Frank Habicht.

Filmografia
Woodenhead (2003) é conhecido pela inovação de gravar toda a banda sonora primeiro (incluindo todos os diálogos) antes de filmar as imagens a preto e branco do conto de fadas musical. Habicht seguiu instruções explícitas dos Milli Vanilli, que o visitaram num sonho.
O documentário Kaikohe Demolition (2004) é uma celebração afetuosa de uma pequena cidade em dificuldades que se tornou famosa por algumas das suas crianças atacarem o Pai Natal.
>Rubbings From a Live Man (2008) é um documentário híbrido interpretado inteiramente pelo protagonista do filme, o artista de performance neozelandês Warwick Broadhead.
Toda a narrativa de Love Story (2011) foi recolhida (em câmara) junto de novaiorquinos reais, e ditou o romance em ecrã entre Florian e Masha Yakovenko.

JARVIS COCKER

Jarvis Cocker tem feito música durante dois terços da sua vida. Duas dezenas destes anos (1978–2002, além dos anos de reunião de 2011 e 2012) foram passados nos PULP, um grupo com o qual viveu a maior parte das experiências possíveis para o vocalista de uma banda. Primeiro apoiado por John Peel e depois ignorado durante os longos «Anos do Subsídio de Desemprego», o grupo acabou por se tornar o mais lento «sucesso da noite para o dia» do país, num período marcante balizado por dois momentos: «Common People» a tornar-se um hino incontornável na atuação de encerramento em Glastonbury em 1995, e a invasão de palco de Jarvis durante a atuação de Michael Jackson nos Brit Awards, oito meses depois.
Em retrospetiva, a maior parte do que aconteceu aos Pulp antes ou depois pode ser definido em relação a estes dois momentos, como símbolos do sucesso desejado e da sua prima mais sombria, a fama excessiva. Os primeiros álbuns de aprendiz esforçado e pouco reconhecido (It, Separations, Freaks); o gradual despertar pop (Intro, His’n’Hers); o culminar comercial (Different Class); a ressaca (This Is Hardcore); e o derradeiro e agridoce canto do cisne (We Love Life).
Ao longo deste tempo, Jarvis passou de outsider por excelência a uma das figuras mais reconhecidas e estimadas da Grã-Bretanha. Trouxe aos tops um raro humor livresco, e destacou-se de forma original num mundo do rock’n’roll dominado por clichés redutores.
Depois dos PULP, Jarvis refugiou-se numa semirreforma, mudou-se para Paris, fez aparições ocasionais nos media para falar de Outsider Art, Scott Walker ou outras causas pessoais, e por vezes escreveu canções para outros artistas (Marianne Faithfull, Charlotte Gainsbourg, Nancy Sinatra e Air). Já não se identificando com o «Jarvis Cocker» da imaginação pública, tentou um alter-ego (a banda electro-gótica Relaxed Muscle), numa tentativa de se libertar de alguns dos pensamentos pouco paternais que atravessavam a sua imaginação sempre febril.
Escreveu três canções para, e participou brevemente em, Harry Potter e o Cálice de Fogo, participou na homenagem «I’m Your Man» a Leonard Cohen em várias partes do mundo, e apareceu num álbum de canções de Serge Gainsbourg.

PULP

A maioria das bandas atinge o sucesso de imediato e depois desvanece-se, ou constrói um público fiel e sobe lentamente ao topo. Os PULP não seguiram nenhum destes percursos. Durante os primeiros 12 anos da sua existência, os PULP permaneceram numa quase total obscuridade, editando alguns álbuns e singles nos anos 80 sem grande atenção. Na viragem da década, o grupo começou a ganhar público, desencadeando uma sucessão notável de acontecimentos que tornaram a banda um dos grupos britânicos mais populares dos anos 90. Quando os PULP se tornaram famosos, a banda já tinha passado por inúmeras formações e mudanças de estilo, cobrindo praticamente todos os marcos do rock indie, do pós-punk à dance. O som característico dos PULP é uma fusão do glam rock de David Bowie e dos Roxy Music, disco, new wave, acid house, europop e rock indie britânico. Os sintetizadores baratos do grupo e as melodias envolventes refletem as obsessões líricas do vocalista Jarvis Cocker, que alterna entre o sexo e retratos afiados e divertidos dos marginais da classe trabalhadora. A partir da pop de segunda mão, os PULP criaram um som distinto e estiloso que transformou o kitsch em algo grandioso e glamoroso, mantendo sempre um sentido palpável de realidade crua.
Jarvis Cocker formou os PULP em 1978, com 15 anos de idade. Originalmente chamada Arabicus Pulp, a primeira formação era composta por colegas de escola de Cocker. Ao fim de um ano, o nome da banda foi reduzido a PULP. Enquanto ainda andavam na escola, os PULP fizeram alguns concertos. A banda gravou uma demo por volta de 1980-1981, entregando a cassete a John Peel numa das suas emissões itinerantes. Peel gostou da cassete e convidou a banda a participar no seu programa. Os PULP fizeram a sua primeira «Peel Session» em novembro de 1981. Em vez de conduzir a contratos discográficos e ao estrelato, a aparição no programa de Peel não teve qualquer seguimento. Desanimados com a falta de sucesso da banda, todos os membros exceto Cocker deixaram a banda em 1982 para ir para a universidade. No ano seguinte, Cocker reuniu uma nova formação com oito elementos, incluindo o teclista Simon Hinkler, que mais tarde se juntaria aos Mission. Nesta formação, os PULP tinham nítidas influências folk e traços de new wave. O grupo conseguiu o seu primeiro contrato discográfico, editando o álbum de estreia, It, em 1984. O álbum não teve grande impacto e a banda voltou a desfazer-se. Depois de a segunda formação dos PULP se desintegrar, Jarvis Cocker formou uma nova versão da banda, com o guitarrista/violinista Russell Senior, que se tornou o seu primeiro verdadeiro colaborador. Cocker e Senior juntaram o baterista Magnus Doyle e o baixista Peter Mansell ao grupo, assim como Tim Allcard, cuja única função era recitar poesia. Musicalmente, os PULP afastaram-se das inclinações folk de It, juntando a teclista Candida Doyle em 1985, o que trouxe um som mais sombrio; pouco depois da sua chegada, Allcard saiu do grupo. Em 1985, os PULP editaram uma série de singles pela Fire Records. Quando a sorte parecia finalmente sorrir-lhes, Cocker sofreu um acidente grave: ao tentar impressionar uma rapariga, caiu de uma janela a cerca de 9 metros de altura, ferindo a bacia, o pé e o pulso. Durante dois meses ficou confinado a uma cadeira de rodas, mas ainda assim continuou a dar concertos.
Editado em 1986, o segundo álbum dos Pulp, Freaks, foi um trabalho denso e sombrio. Após o seu lançamento, a banda separou-se durante a rodagem do videoclipe de «They Suffocate at Night». Todos os membros, exceto Cocker e Senior, deixaram o grupo. Durante um ano a banda ficou inativa, mas Candida Doyle regressou em 1987, juntando-se pouco depois o baterista Nick Banks e o baixista Steven Havenhand. Havenhand foi rapidamente substituído por Anthony Genn, que por sua vez foi substituído por Steve Mackey. Apesar de o grupo ter agora uma formação estável, não conseguia ganhar seguidores. Em 1988, Cocker mudou-se para Londres com Mackey e começou a estudar cinema no St. Martin’s College. Enquanto estudava, foi proposto aos PULP gravar outro álbum. O álbum resultante, Separations, foi gravado em 1989 e refletia a nova obsessão de Cocker com o acid house, mas incluía também algumas canções pop bem conseguidas. Separations só foi editado quase três anos depois de estar concluído. Cocker já se preparava para seguir carreira no cinema quando um single do álbum, «My Legendary Girlfriend», foi lançado. A NME distinguiu a canção como Single da Semana em 1991 e a carreira dos PULP descolou repentinamente.
No início de 1992, os PULP deixaram a Fire Records pela Gift, e começaram a editar uma série de singles que consolidaram o sucesso de «My Legendary Girlfriend». Em particular, «Babies» trouxe à banda muita atenção, conduzindo a um contrato com a Island Records, o primeiro contrato com uma grande editora. A Island editou Pulpintro, uma compilação dos singles da Gift, enquanto a banda gravava a sua estreia numa grande editora, His ‘n’ Hers. Após o seu lançamento na primavera de 1994, His ‘n’ Hers recebeu críticas positivas e tornou-se um sucesso inesperado, entrando no Top Dez britânico; foi também nomeado para o Mercury Award de 1994. Durante o resto de 1994 e o início de 1995, Jarvis Cocker tornou-se subitamente omnipresente na televisão britânica. Estas aparições televisivas suaves e bem-humoradas tornaram-se lendárias, fazendo de Cocker uma espécie de herói nacional, e também um símbolo sexual.
Por mais popular que Jarvis Cocker se tivesse tornado, a banda só atingiu o verdadeiro sucesso com o lançamento de «Common People». O single tornou-se um enorme êxito após o seu lançamento em maio de 1995, entrando diretamente no número dois das tabelas britânicas. Em julho, os PULP aceitaram, à última hora, o lugar de cabeça de cartaz em Glastonbury, quando os Stone Roses tiveram de cancelar. A atuação dos PULP foi recebida com entusiasmo, catapultando a banda para o estatuto de superestrela em Inglaterra e preparando convenientemente o terreno para o álbum seguinte, Different Class. Durante a gravação do álbum, o guitarrista Mark Webber — até então presidente do clube de fãs dos PULP — tornou-se membro efetivo do grupo. O primeiro registo a contar com Webber foi o single duplo «Mis-Shapes»/«Sorted for E’s & Wizz», lançado em agosto, dois meses antes de Different Class. O single chegou ao número dois, apesar de uma grande polémica tablóide em torno da letra de «Sorted».
Different Class chegou no final de outubro com críticas entusiásticas em toda a imprensa britânica. O álbum entrou diretamente para número um das tabelas, atingindo disco de ouro na primeira semana e platina na segunda. No final do ano, o álbum liderava muitas listas dos melhores discos do ano. Em fevereiro de 1996, Different Class foi editado nos Estados Unidos com boas críticas. A enorme fama e atenção trazidas por Different Class influenciaram a direção do álbum seguinte, This Is Hardcore, de 1998, marcado por um som paranoico e desgastado pelo mundo. O som atribulado do álbum e a receção algo dividida levaram alguns a especular se a banda continuaria; os membros do grupo dedicaram algum tempo a projetos paralelos, como DJ sets em vários clubes noturnos e remisturas para artistas como os Black Box Recorder e os Death in Vegas. Entretanto, continuaram a tocar ao vivo, atuando em vários festivais, incluindo o Meltdown, com curadoria de Scott Walker. Walker tornou-se uma inspiração tal para o grupo que os PULP contrataram- o como produtor do novo material, depois de a gravação com Chris Thomas não ter corrido de forma satisfatória. O álbum resultante, We Love Life — cujo título foi inspirado pelos ataques terroristas de 11 de setembro — foi editado no outono de 2001 no Reino Unido e na primavera de 2002 nos Estados Unidos, com aclamação da crítica. Em 2006, Cocker editou um álbum a solo intitulado Jarvis.