Meados do século XIX. Um grupo de sobreviventes do naufrágio de um navio negreiro, brancos e negros, dão a uma ilha deserta.
A luta pela sobrevivência e pelo poder vai inverter os valores morais e sociais da época. Isolados, será possível encontrar uma forma de viver em harmonia?
Quando, há varios anos, comecei a pensar o filme Sobreviventes, ele era um filme de aventuras. Uma história de naúfragos numa ilha deserta, numa praia que na maré cheia não tem chão. Primordialmente, julgo que Sobreviventes ainda é um filme de aventuras, embora outras camadas importantes tenham surgido ao longo deste tempo e que quase escondem este nosso filme aventuroso quando falámos sobre ele.
Transitando entre a ficção e o documentário, e muitas vezes misturando os dois, os meus filmes têm abordado com frequência as questões históricas e pós-coloniais portuguesas, principalmente na relação com o Brasil.
Por muito tempo, Portugal olhou para o seu passado colonial de uma forma muito suave. O tema da escravatura foi muitas vezes “esquecido” e é essa, a outra grande questão abordada neste filme, que comecei a escrever há mais de 10 anos. Quase 5 milhões de africanos foram levados de África para serem escravizados no Brasil. Não é possível esconder o crime da escravatura atrás de uma “gloriosa” epopeia ultramarina. O mito do colonizador que se miscigenou pacificamente não corresponde às histórias da escravatura, da violação das mulheres locais, indígenas e negras, que ouvi, transmitido de geração em geração, ao viajar na costa e nos rios do interior do Brasil até aos confins da Amazónia, durante os últimos 15 anos.
Ao mesmo tempo, ao olhar para o passado através desta história de ficção, julgo que o filme pode ajudar a refletir sobre o presente e a possibilidade da formação de uma nova sociedade multi-étnica e pacífica. Além disso, saindo da esfera do macrocosmo para o microcosmo, interessa-me perceber como o individuo lida com o tema: a relação destas pessoas, negras e brancas, num espaço perdido, deslocadas do seu contexto.
Como é possível a harmonia e a instauração de uma sociedade igualitária e democrática depois de um passado de tanta violência? Não sabemos até hoje, mas ela é certamente desejável. É sobre isso que este filme pretende falar.
José Barahona
Filme “Sobreviventes” de José Barahona chega aos cinemas em outubro
Observador
Sobreviventes de José Barahona: naufragar é preciso
Público
Sobreviventes: “É comum ainda tentar-se varrer a realidade da escravatura para debaixo do tapete”
C7nema
José Barahona finaliza ficção “Sobreviventes” que é um olhar sobre escravatura
RTP
“Sobreviventes”: José Barahona termina filme sobre a escravatura coescrito com José Eduardo Agualusa
Sapo Mag
Longas-metragens editadas por docente DCAM em estreia
Universidade Lusófona
Os náufragos do Império
Diário de Notícias
“Sobreviventes”, José Barahona
NIT
“Sobreviventes” de José Barahona com direção de fotografia de Hugo Azevedo
Associação de Imagem Portuguesa
O CINEMA ASSIM SÓ SOBREVIVE À CONTA DE SUBSÍDIOS
Duas Linhas
“Sobreviventes” de José Barahona, 3 de Outubro nos cinemas
Cinema em Portugal
CINE ESTREIA: “Sobreviventes”, de José Barahona
Alma Lusa
“Sobreviventes”: Filme de José Barahona estreia nos cinemas portugueses em outubro
Cinevisão
Filmes de Pedro Costa, Margarida Gil, Rita Nunes, Pedro Cabeleira e José Barahona nos cinemas este mês
Comunidade Cultura e Arte
José Barahona finaliza ficção “Sobreviventes”, que é um olhar sobre escravatura
Jornal Económico
As estreias da semana – Nos cinemas a partir de 3 de outubro
Agenda Cultural de Lisboa
José Barahona, Alberto Satírico, Luís SDC e Lil Joker
RTP – Bem-vindos
Preto no Branco, uma questão de sobrevivência
Cinematograficamente Falando
Filme «Sobreviventes» exibido em Odeceixe
Barlavento
The Survivors proves itself a better sermon than film, a valuable message articulated by a cinematic object that leaves much to be desired.
International Cinephile Society
Filmes portugueses em destaque nas estreias de outubro
Jornal de Notícias
Sobreviventes
Filmspot
José Barahona finaliza ficção “Sobreviventes” que é um olhar sobre escravatura
Observatório de Língua Portuguesa
Todo o homem é uma ilha …
Cinematograficamente falando
Com
Miguel Damião
Allex Miranda
Anabela Moreira
Roberto Bomtempo
Paulo Azevedo
Zia Soares
Ângelo Torres
Kim Ostrowskij
Hugo Narciso
Realização José Barahona
Argumento José Eduardo Agualusa e José Barahona
Música original Philippe Seabra
Com a voz de Milton Nascimento
Produção DAVID & GOLIAS (Portugal) · Fernando Vendrell e Luís Alvarães
Co-produção REFINARIA FILMES (Brasil) · Carolina Dias e José Barahona
Imagem Hugo Azevedo
Som direto Olivier Blanc
Direção de Arte Ana Teresa Castelo
Figurinos Patrícia Domingues
Caracterização Magali Santana
Montagem João Braz
Desenho de Som Beto Ferraz
Mixagem Armando Torres Júnior
Correção de Cor Andreia Bertini
Efeitos de Imagem Jorge Carvalho
Assistente de Realização Nuno Milagre
Direção de Produção Ana Figueira
Produção Executiva Ana Figueira e Carolina Dias
Formado em Cinema em Lisboa, completou seus estudos em Cuba e Nova York. Dentre seus filmes mais recentes estão “Nheengatu” (doc., 2020) “Alma Clandestina” (doc. híbrido, 2018) e “Estive em Lisboa e Lembrei de Você” (fic., 2015), apresentados em diversos festivais nacionais e internacionais, entre outros. Um livro sobre seu filme “O manuscrito perdido” (doc., 2010) foi publicado com prefácio de Nelson Pereira dos Santos. “Sobreviventes” foi escrito em conjunto com o escritor angolano José Eduardo Agualusa e é a sua segunda longa-metragem de ficção.
FILMOGRAFIA SELECIONADA
Nheengatu – A Língua da Amazônia, doc. 2020
Alma Clandestina, doc. 2018
Estive em Lisboa e Lembrei de Você, lm. 2016
O Manuscrito Perdido, doc. 2010
Milho, doc. 2008
Buenos Aires Hora Zero, doc. 2004
Pastoral, cm. 2004