Young Hearts – O Primeiro Amor

Young Hearts
Anthony Schatteman, Bélgica, Holanda, Ficção, 2023, 97 min.
Sinopse

Elias tem 14 anos e sente-se atraído por Alexander, o seu novo vizinho que tem a mesma idade. Apercebe-se rapidamente que está verdadeiramente apaixonado pela primeira vez. As interações com os seus amigos e família trazem mais perguntas do que respostas. Confuso pelos seus sentimentos emergentes, Elias tenta resolver o seu caos interior para provar que é digno do coração de Alexander.

Nota de Intenções

A paixão por contar esta história nasceu de uma perspetiva pessoal, a partir da minha vida, e acredito que, hoje em dia, deve ser relevante para muitas pessoas. Tive uma infância bastante difícil por me sentir inseguro em relação à minha sexualidade. Como não obtive respostas para muitas das minhas perguntas, nem em casa nem na escola, passei por um conflito interno que me levou a esconder-me. Tudo isto envolveu muitos segredos e mentiras porque tinha medo que tivessem vergonha de quem eu era. “Young Hearts” fala sobre um rapaz, como eu já fui, que luta para aprender a lidar com a sua sexualidade emergente. No meu caminho para a idade adulta, procurei filmes e livros sobre este tema. “Young Hearts” é o tipo de filme que eu queria ver naquela época, mas estes filmes simplesmente não existiam! Agora é o momento para promover a sensibilização sobre este assunto: o amor é universal e devemos seguir o nosso coração. As gerações antes de nós não conseguiram, mas espero que “Young Hearts” possa, pelo menos, criar a mais pequena das mudanças.

Fotos
Trailer
Festivais

Festival Internacional de Cinema de Berlim (Alemanha), 2024
Festival Internacional de Cinema Infantil de Kristiansand (Noruega), 2024
Festival Internacional de Cinema Infantil e Juvenil de Zlin (Chéquia), 2024
Festival Internacional de Cinema de Seattle (EUA), 2024
Festival Internacional de Cinema Frameline (EUA), 2024
Cannes Cine Junior (França), 2024

Prémios

Festival Internacional de Cinema de Berlim (Alemanha), 2024

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Dossier de Imprensa

Imprensa

À primeira vista, Young Hearts parece assemelhar-se a Close, de Lukas Dhont — tanto pelo cenário numa pequena localidade rural belga como pelo foco em dois rapazes no início da adolescência que tentam perceber os limites delicados entre amizade e romance. Mas, olhando mais de perto, a longa-metragem de estreia do realizador flamengo Anthony Schatteman revela-se muito mais próxima de referências como Heartstopper ou Love, Simon, totalmente desprovida da dimensão trágica do drama nomeado para o Óscar de Dhont. O impressionante estreante Lou Goossens interpreta um rapaz de 14 anos lançado numa confusão emocional pela atração que sente por um novo vizinho, num filme cuja positividade queer deverá funcionar como um bálsamo para jovens LGBTQ+ que lutam com a sua sexualidade, bem como para pais que têm dificuldade em aceitar.
Isso não significa que os conflitos habituais de isolamento, rejeição inicial e medo de estigmatização estejam ausentes. Mas um dos principais trunfos de Young Hearts é a sua representação sincera do coming out num ambiente de apoio, desenrolando-se em cenários bucólicos banhados por um magnífico brilho de verão. Embora Schatteman não fuja à sentimentalidade e até se incline por vezes para o cliché, o filme triunfa graças à sua ternura e autenticidade emocional.
Young Hearts tem um excelente aspeto visual; as sequências dos rapazes a pedalar por estradas rurais funcionam como uma pontuação delicada. E as poucas cenas em Bruxelas usam os esplendores arquitetónicos da capital histórica para sugerir subtilmente porque é que Alexander, apesar de ter a mesma idade, é emocionalmente mais evoluído do que Elias.
O elemento que une toda a história é o notável Elias de Lou Goossens, cujos silêncios, tanto quanto a sua intensidade crua, revelam o turbilhão que o consome por dentro. O percurso do rapaz rumo à compreensão de si próprio e dos seus desejos tocará qualquer pessoa que alguma vez tenha lutado com a auto-aceitação.”
David Rooney, Junho 2024. The Hollywood Reporter

“A história de amor adolescente queer e de bom coração de Anthony Schatteman, “Young Hearts”, é aquilo que Lukas Dhont pensava estar a fazer com “Close”. Enquanto “Close” usou a dor queer para, de forma manipuladora, arrancar compaixão, “Young Hearts” parece realmente preocupar-se com os seus jovens protagonistas.Doce e sincero, este é o tipo de filme que é fácil acolher, porque compreende que crescer é, por natureza, traumático. Não precisa de ser excessivamente dramatizado.”
Robert Daniels, Março 2025, rogerebert.com

“Porque é que a morte é o único horizonte cinematográfico das personagens gays e trans? No dia 8 de fevereiro, o cineasta Antoine Barraud (Madeleine Collins) meteu os pés na poça numa tribuna publicada no site do jornal Libération a propósito de alguns filmes queer recentes. Aponta, em particular, os dois filmes do belga Lukas Dhont, Girl (2018) e Close (2022), pelo seu imaginário mortífero. “Estas imagens, terríveis, são insuportáveis para estes corpos tão jovens, tão cheios de vida, que não pedem uma sentença, mas o direito de viver”, escreve. Mesmo antes da publicação deste texto, Lukas Dhont talvez já tivesse antecipado a crítica. É, de resto, um dos consultores do argumento de Young Hearts, primeiro filme de um dos seus amigos, Anthony Schatteman, que propõe um olhar totalmente diferente sobre a descoberta da homossexualidade. Mais doce, mais solar. O realizador flamengo confessa que realizou aqui o filme que ele próprio teria gostado de ver quando era mais novo.
Quando a história começa, Elias (14 anos), com uma família unida e um bom grupo de amigos, vê o seu equilíbrio pacífico perturbado pela chegada de Alexander, um rapaz da mesma idade que assume a sua preferência por rapazes. Young Hearts acompanha com delicadeza este sentimento nascente. Desde o primeiro olhar de Elias para Alexander lê-se no seu rosto uma certa perturbação. Rapidamente, a relação entre os dois torna-se cúmplice, mistura de atração e fascinação.  O filme alterna entre momentos em que Elias e Alexander, sozinhos, exploram livremente a relação, e cenas em grupo em que cada um retorna a uma configuração mais rígida. Mas, salvo uma exceção, a homofobia não se manifesta de forma explícita. O essencial permanece interiorizado.
E Young Hearts consegue fazer viver esse turbilhão que acontece abaixo da superfície. Anthony Schatteman transforma os olhos azuis de Elias num personagem por si só: lê-se no seu rosto – e nos olhares que trocam com quem o rodeia — os seus questionamentos e conflitos. Nesta atração por outro rapaz, está em jogo simultaneamente incompreensão, medo do julgamento e receio de rejeição. O filme é antes de mais um longo percurso tortuoso e comovente rumo a uma forma de aceitação de si próprio.  Mas essa aceitação não pode acontecer isoladamente. Young Hearts faz do olhar do outro um elemento central, à imagem de Luk, o pai de Elias, cantor de música popular ocupado a olhar para si próprio, e da família calorosa de Alexander, que recebe os dois rapazes de braços abertos durante uma escapadela a Bruxelas, ajudando a quebrar o não-dito.  Os modelos benevolentes são essenciais – tal como uma cultura que incentive a expressão destes primeiros émos amorosos, que sejam ditos, ouvidos, aceites e não ridicularizados. Embora alguns possam ser desencorajados pelo sentimentalismo do filme, Young Hearts parece querer dizer-nos que é urgente celebrar o amor em vez de olhar para a morte.
Boris Bastide, Fevereiro 2025, Le Monde

Young Hearts sugere de forma verdadeira o som agudo por trás da aparência suave do quotidiano.
O filme entrega-se a uma fantasia de ruralidade do Norte da Europa onde a liberdade da infância é garantida por uma parentalidade que deixa as crianças livres e bicicletas que nunca precisam de ser trancadas. Neste mundo, ir para a escola envolve pedalar por entre vacas bonitas e bancas de fruta celestial, com paragens para segurar leitões e nadar nu num lago. Aqui, o pior acto de bullying surge na forma de um desenho de um pénis numa fotografia de Elias publicada no jornal local. É suficiente, no entanto, para sugerir que algo agudo ferve por trás da fachada tranquila da vida quotidiana. Apesar de toda a aparência de coexistência harmoniosa, o despertar do amor queer desencadeia em Elias uma agonia insuportável.
Através dos olhos extraordinariamente expressivos de Goossens, vemos como até mesmo o arranjo doméstico ou social mais favorável pode desmoronar-se perante o desejo. Não há muitos indícios de que alguém repreenderia Elias se ele articulasse os seus sentimentos por Alexander ao seu entorno de amigos. Mas algo naquela relação ainda o consome por dentro.
É mais do que simples vergonha. O rosto de Goossens, quase congelado pela luta entre anseio e resistência, sugere que o corpo de um rapaz de 14 anos não poderia conter a enormidade — e os efeitos desestabilizadores — do amor romântico. Young Hearts também enfatiza a dessincronização entre a fantasia de uma sociedade segura e ordeira e o caos que o desejo inevitavelmente causa.
Visto com ternura, o filme de Anthony Schatteman oferece a rara oportunidade de nos entregarmos a uma fantasia em que os riscos do amor queer se tornarem públicos são anódinos, mesmo insignificantes, deixando também espaço para uma crítica casual ao que poderíamos chamar de parentalidade nórdica, onde as crianças desfrutam de tanta autonomia mas também ficam entregues a si próprias.
Sentimentos ambivalentes apodrecem dentro de Elias, manifestando-se em forma física nos momentos mais raros, como quando o rapaz parte o disco de ouro emoldurado do seu pai ou empurra um amigo para o chão por ciúmes de Alexander. Em Young Hearts, o brilho da aceitação é tão espesso que silencia as contradições inevitáveis que bombeiam no coração humano.
O papel fundamental neste contexto é o do avô de Elias, Fred (Dirk van Dijck), no qual Elias encontra um tipo especial de amor incondicional. O homem também usa a sua dor de forma nua e crua, visto que ainda está a lamentar a perda da avó de Elias, e é através da sua vulnerabilidade partilhada que se liga ao rapaz. Quando o coração de Elias dói por causa dos altos e baixos com Alexander, Fred simplesmente o acalenta nos seus braços, recordando a cena de Call Me By Your Name em que o pai de Elio ensina sobre o amor encorajando-o a amar apesar de tudo. Aqui, quando o adulto diz à criança que tudo acabará por correr bem, e que não importa quem amam, não é uma questão de mera retórica. É um momento verdadeiro e sóbrio que parece um acto de reparação.
Diego Semerene, Março 2025, Slant Magazine

Anthony Schatteman

Anthony Schatteman (1989) formou-se na KASK School of Arts, em Ghent, e fez um mestrado em Estudos de Cinema e Cultura Visual, na Universidade de Antuérpia.

O mundo dos jovens e as suas relações com as pessoas à sua volta formam um fio condutor no seu trabalho, caracterizado pela sexualidade emergente. Com poucos diálogos e um foco de atenção em emoções normalmente mais difíceis de expressar, nos seus filmes Anthony retrata, de uma forma estilizada, personagens universais com as quais todos nos podemos identificar.

A seu primeira curta-metragem, “Kiss me Softly”, foi um sucesso na sua estreia internacional, ganhando prémios em festivais de cinema internacionais em todo o mundo. Seguiram-se mais três curtas-metragens: “Follow me”, “Petit Ami” e “Hello, Stranger”. Em 2020, realizou “Alive”, uma série para a televisão belga VRT, protagonizada por Joke Emmers e Michäel Pas, numa produção da Polar Bear. Em 2021, lançou a série juvenil “Panna” que segue quatro jovens raparigas que perseguem o seu sonho de se tornarem jogadoras de futebol nas ruas de Antuérpia. “L’Homme Inconnu”, a curta-metragem filmada em 16mm, em Cavalaire-Sur-Mer, estreou-se no Film de Cinema de Ghent, na Bélgica, em 2021, seguindo-se a série “2de Zit” para a plataforma de streaming belga Streamz. Mais recentemente, realizou a série irlandesa “Northern Lights” para a Lionsgat e realizou a sua primeira longa-metragem “Young Hearts.

FILMOGRAFIA
2024: Young Hearts (longa-metragem) 
2023: Northern Lights (série)
2022: 2de Zit (série)
2021: L’homme Inconnu (curta-metragem) 
2021: Panna (série)
2021: Alive (série)
2017: Petit Ami (curta-metragem) 
2016: Hello, Stranger (curta-metragem)  
2015: Follow Me (curta-metragem) 
2012: Kiss Me Softly (curta-metragem) 

Ficha Técnica

Realização e Argumento: Anthony Schatteman
Direção de Fotografia: Pieter Van Campe
Elenco: Lou Goossens, Marius De Saeger, Geert Van Rampelberg, Emilie De Roo, Dirk Van Dijck, Saar Rogiers, Ezra Van Dongen, Jul Goossens, Olivier Englebert, Wim Opbrouck, Florence Hebbelynck, Jill Malfroot, Cassie Alcendor, Samba Thiam, Sam Michiels, Marie Gevaert
Direção de Arte: Kato Bulteel Figurinos: Gudrun Wylleman Maquilhagem: Jacqueline Hoogendijk, Chinouk Meurer
Casting: Sien Josephine Teijssen
Dramaturgia: Olivier Roels
Som: Rosanne Blokker, Meghan Van der Meer Montagem: Emiel Nuninga
Música: Ruben De Gheselle
Direção de Produção: Jan Ryvers
Primeiro Assistente de Realização: Jeff Theys
Gravação de Som: Feras Daouk, Laurens Desmet
Produtor: Xavier Rombaut (Polar Bear- BE)
Co-produtor: Floor Onrust (Family Affair Films – NL), Annabella Nezri (Kwassa Films – BE)

Escolas

Este filme está disponível para exibição nos cinemas para as escolas de todo o país!
Os conteúdos abordados neste filme têm importância directa para as áreas de Cidadania e Desenvolvimento, do 3.º ciclo e secundário. No entanto, tendo em conta a sua temática, julgamos que é um filme que interessa aos alunos de todas as áreas educativas.
O que importa aqui é o desenvolvimento da empatia e da superação!

Condições para marcações:
– Marcação com 15 dias de antecedência;
– Disponível até ao final do ano letivo;
– Disponível apenas nos dias úteis, durante o período da manhã até às 13h
– Reservado aos cinemas aderentes

Cinemas NOS (Almada; Aveiro; Braga; Cascais; Coimbra; Évora; Faro; Figueira da Foz; Funchal; Gaia; Gondomar; Lisboa; Loulé; Matosinhos; Montijo; Oeiras; Paços de Ferreira; Ponta Delgada; Porto; Torres Vedras; Viseu)
Disponível apenas nos dias úteis, durante o período da manhã até às 13h
Grupos mínimos de 20 alunos
5,10€ por aluno
Oferta de bilhetes para 2 adultos acompanhantes por cada 20 alunos;

Cinemas City (Campo Pequeno, Alvalade, Alfragide e Setúbal) 
Disponível apenas às terças e quartas, durante o período da manhã até às 13h. 
Apenas Alvalade tem disponibilidade de segunda a sexta, no período da manhã.
Grupos mínimos de 20 alunos
5,10€ por aluno
Oferta de bilhetes para 1 adulto acompanhante por cada 15 alunos;

 

Cinemas Castello Lopes (Sintra, Barreiro, Santarém, Torres Novas, Guimarães, Maia, Ovar)
Grupos mínimos de 15 alunos
5,00€ por aluno
Oferta de bilhetes para 1 adultos acompanhantes por cada 10 alunos
Disponível em qualquer horário, durante a semana.

Casa do Cinema de Coimbra
Disponível apenas nos dias úteis, durante o período da manhã até às 13h
Grupos mínimos de 20 alunos
3€ por aluno
Oferta de bilhetes para professores e/ou acompanhantes de cada grupo;