O “Cidade em Frames” Regressa em Novembro

Em novembro, o Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL), em parceria com a Zero em Comportamento, apresenta a 3.ª edição do ciclo “A Cidade em Frames”, dedicada a pensar o espaço urbano e as suas múltiplas formas de vida.

Entre Lisboa, Madrid e outras geografias, os filmes desta edição revelam as tensões entre turismo, habitação, natureza e pertença — um retrato das cidades em transformação.

As sessões decorrem todas as quintas-feiras — 6, 13, 20 e 27 de novembro — às 18h00, no auditório do CIUL, e propõem um olhar sobre as transformações, contradições e modos de habitar as cidades contemporâneas.

PROGRAMA

6 novembro — Sessão 81’
TERRAMOTOURISM — Coletivo Left Hand Rotation (Portugal, 2016, 42’)
BUSINESS AS USUAL — Pedro Vinicius (Brasil, 2024, 24’)
AGENTE IMOBILIÁRIO SEM CASA PARA VIVER — Filipe Amorim (Portugal, 2025, 15’)

13 novembro — Sessão 90’
LISBOA – OUTRAS FORMAS DE VIDA — Madalena Boto (Portugal, 2024, 50’)
HOMO URBANUS LISBOETUS — Ila Bêka & Louise Lemoine (França/Portugal, 40’)

20 novembro — Sessão 79’
ESTOU AQUI — Dorian Rivière & Zsófi Paczolay (Portugal/França, 2024, 79’)

27 novembro — Sessão 84’
MITOLOGÍA DE BARRIO — Alejandro Pérez Castellanos, Antonio Llamas & Jorge Rojas (Espanha, 2024, 70’)
NADA PARA VER AQUI — Nicolás Bouchez (Portugal/Bélgica, 2021, 16’)

TERRAMOTOURISM
Coletivo Left Hand Rotation
Portugal,  2016,  42’, Documentário
A 1 de novembro de 1755 um terramoto destruiu a cidade de Lisboa. O seu impacto foi tal que deslocou o homem do centro da criação. As suas ruínas legitimaram o despotismo esclarecido. Lisboa hoje treme novamente, abalada por um sismo turístico que transforma a cidade a velocidade de cruzeiro. O seu impacto desloca o morador do centro da cidade. Que novos absolutismos encontrarão aqui o seu álibi?
Enquanto o direito à cidade se derruba, afogado pelo discurso da identidade e do autêntico, a cidade range anunciando o seu colapso e a urgência de uma nova maneira de olhar-nos, de reagir a uma transformação — desta vez previsível — que o desespero do capitalismo finge inevitável.
Terramotourism é um retrato subjetivo de uma cidade e da sua transformação ao longo de cinco anos.

BUSINESS AS USUAL
Pedro Vinicius
Brasil, 2024, 24’, Documentário
Um olhar satírico sobre a crise habitacional de Lisboa, hoje a terceira cidade mais cara do mundo. O turismo massivo e a falta de infraestruturas transformam a cidade num vasto estaleiro de obras — o cenário perfeito para a especulação imobiliária.

AGENTE IMOBILIÁRIO SEM CASA PARA VIVER
Filipe Amorim
Portugal, 2025, 15’, Comédia
O preço médio das casas em Portugal disparou 106% nos últimos dez anos e a crescente valorização do metro quadrado levou a uma crise imobiliária sem precedentes. Atraídos pela vida luxuosa dos agentes imobiliários mais bem-sucedidos, muitos jovens envergam no mercado imobiliário na esperança de uma estabilidade financeira que Portugal não é capaz de oferecer. Sérgio Pinto é um aspirante a agente imobiliário que não consegue pagar a renda da casa.

LISBOA, OUTRAS FORMAS DE VIDA
Madalena Boto
Portugal, 2024, 50’, Documentário
Com milénios de ocupação humana, Lisboa foi crescendo para responder às necessidades da população. A cidade pode parecer um refúgio improvável para a vida selvagem, mas são muitas as espécies que aqui encontram condições para sobreviver e criar descendência.
Nas ruas, telhados e jardins da capital, do estuário do Tejo ao Parque Florestal de Monsanto, descobrimos a natureza que vive à nossa porta e que passa, muitas vezes, despercebida.

HOMO URBANUS LISBOETUS
Ila Bêka & Louise Lemoine
França / Portugal, 40’, Documentário
Homo Urbanus Lisboetus é parte do projeto dos artistas e cineastas Ila Bêka & Louise Lemoine que explora, neste caso específico, a cidade de Lisboa como ecossistema, bem como o quotidiano e as particularidades dos seus habitantes.
Depois de 13 cidades já filmadas, Lisboa surge como o 14.º capítulo do projeto, produzido em parceria com a RTP. Através de uma série de observações sobre a vida na rua, o filme propõe-se compreender cada contexto urbano como um laboratório experimental e único, respondendo ao desafio global de como podemos viver em conjunto.
Bêka & Lemoine evidenciam o modo como as pessoas e os lugares se influenciam mutuamente, revelando como o ambiente construído afeta o nosso estado físico, psicológico e emocional.

ESTOU AQUI
Dorian Rivière & Zsófi Paczolay
Portugal / França, 2024, 79’, Documentário
Durante a pandemia da COVID-19, em 2020, o maior centro desportivo de Lisboa é transformado num abrigo de emergência para pessoas em situação de sem-abrigo. Sob a orientação de Teresa, diretora do projeto, surge uma comunidade temporária e auto-organizada, restaurando uma cultura de cuidado e apoio mútuo.
Numa sociedade à beira do colapso — e apesar do desprezo da vizinhança — os utentes encontram aqui uma voz e um sentido de pertença. O filme acompanha a jornada de Tiago e Plácido, dois amigos empenhados, enquanto navegam pela agitação do quotidiano na esperança de um novo começo.

NADA PARA VER AQUI (NOTHING TO SEE HERE)
Nicolás Bouchez
Portugal / Bélgica, 2021, 16’, Documentário
Como um traço branco de tinta, o rasto de condensação de um avião atravessa o azul do céu. A voz na rádio fala de um eclipse lunar iminente — do qual nada será visto aqui, nos arredores de uma cidade portuguesa.
Com toques de humor e realismo mágico, Nicolás Bouchez observa os acontecimentos quotidianos e as facetas coloridas de uma cidade onde, aparentemente, não há nada para ver.

MITOLOGÍA DE BARRIO
Alejandro Pérez Castellanos, Antonio Llamas & Jorge Rojas
Espanha, 2024, 70’, Documentário
Filmada nos bairros de Madrid.
Na periferia de uma cidade, um homem dormita na sua pequena mercearia durante uma tarde de verão abrasadora. Um sonho premonitório desperta-o: amanhã a cidade terá mudado para sempre — e ninguém se lembrará de como voltar a casa.